Dólar cai com foco em EUA e contas públicas do Brasil, queda do dólar puxa Ibovespa a máxima histórica enquanto Trump, Nvidia e Tesouro influenciam os mercados

Movimento do dólar acompanha discurso de Trump, balanços nos EUA e o superávit primário do Tesouro, com efeitos no fluxo de capitais, na cotação do dólar e no avanço do Ibovespa

O dólar opera em queda nesta quarta-feira, em um dia de atenção voltada tanto para sinais vindos dos Estados Unidos quanto para dados das contas públicas brasileiras.

Por volta das 9h15, a moeda americana recuava 0,48%, cotada a R$ 5,1305, em reação a notícias sobre política internacional e agenda econômica, enquanto o mercado segue avaliando balanços corporativos nos EUA.

Os movimentos do câmbio e da bolsa também refletiam os dados fiscais divulgados pelo governo, conforme informação divulgada pelo g1.

Como o câmbio abriu o dia

Na véspera, o dólar comercial caiu 0,26%, cotado a R$ 5,1553, enquanto o principal índice da bolsa brasileira encerrou com um avanço de 1,40%, aos 191.490,40 pontos, marcando nova máxima histórica.

No acumulado, o dólar apresenta, conforme dados reportados, Acumulado da semana: -0,40%, Acumulado do mês: -1,76% e Acumulado do ano: -6,07%. Essas variações mostram maior busca por ativos locais diante de entrada de capital estrangeiro.

Agenda externa e notícias que moveram os mercados

O discurso do presidente Donald Trump no Congresso mexeu com a percepção de risco e política comercial, por abordar temas como inflação, tarifas e segurança, sem citar a China de forma direta, e com críticas à decisão da Suprema Corte sobre tarifas.

Além disso, investidores aguardam o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento do mercado, e acompanham falas de dirigentes do Federal Reserve, elementos que podem influenciar a demanda por dólar e por ativos de risco.

Em Wall Street, houve alta dos principais índices no dia anterior, com o Dow Jones avançando 0,76%, o S&P 500 subindo 0,78% e a Nasdaq ganhando 1,05%, o que ajudou a sustentar um clima favorável a ações globais.

Contas públicas no centro do impacto doméstico

As contas do governo registraram superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, segundo o Tesouro Nacional, resultado abaixo da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões.

Em comparação com janeiro do ano passado, houve leve piora, já que em 2024 o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, conforme os dados oficiais citados.

O resultado foi favorecido pela arrecadação federal, que atingiu o maior nível para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, o que ajuda a explicar parte da entrada de recursos no país e a apreciação do real.

Para 2026, a meta é que as contas do governo tenham um superávit de 0,25% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual e possibilidade de excluir até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo.

Na prática, o governo projeta que poderá haver um déficit de R$ 23,3 bilhões em 2026, mesmo que no cálculo oficial a meta apareça positiva, o que mantém dúvidas sobre a trajetória fiscal no médio prazo.

O que observar à frente

Ao longo do dia, investidores vão monitorar a divulgação do fluxo cambial semanal, discursos do Fed e o balanço da Nvidia, além de sinais políticos domésticos que podem alterar o apetite por risco.

Combinados, esses fatores ajudam a explicar porque o dólar recuou hoje, enquanto o Ibovespa segue em patamar elevado, e devem continuar a ditar a direção dos mercados brasileiros nos próximos pregões.