Dólar cai com foco em EUA e nas contas públicas do Brasil, Tesouro aponta superávit, investidores monitoram Nvidia, Fed e tarifas de Trump
Dólar recua a R$ 5,1416 com investidores avaliando discurso de Trump, nova tarifa de 10% nos EUA, superávit primário do Governo Central e balanços corporativos
O dólar abriu em queda nesta quarta-feira, refletindo combinação de fatores internacionais e dados fiscais no Brasil.
Às 9h, a moeda registrava recuo de 0,28%, cotada a R$ 5,1416, enquanto o mercado acompanhava notícias sobre tarifas americanas, balanços de tecnologia e falas do Federal Reserve.
Na véspera, a moeda americana caiu 0,26%, cotada a R$ 5,1553, e o Ibovespa fechou em alta de 1,40%, aos 191.490,40 pontos, com entrada de capital estrangeiro no país, conforme informação divulgada pelo g1.
O que está pesando no dólar, no exterior
Nos Estados Unidos, a incerteza sobre política comercial voltou ao centro, após o governo anunciar uma tarifa adicional de 10% sobre produtos sem isenção, medida divulgada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras, a CBP.
O aviso da CBP diz que, exceto os produtos listados como isentos, as importações “estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%”, informação que ampliou dúvidas sobre o impacto nos fluxos comerciais.
Investidores também aguardam o discurso anual do presidente Donald Trump no Estado da União, além do balanço trimestral da Nvidia após o fechamento, elementos que ajudam a explicar o apetite por risco visto em Wall Street.
Falas do Fed e mensagens sobre emprego e inflação
Dirigentes do Federal Reserve trouxeram observações relevantes sobre a economia e a inflação, que mexem com expectativas de juros e, por consequência, com o dólar.
A diretora do Fed, Lisa Cook, afirmou que a inteligência artificial tem provocado uma mudança geracional no mercado de trabalho, e que isso pode afetar desemprego e inflação. Nas declarações, ela disse, “Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações”.
Cook também alertou que, “Em um boom de produtividade como este, um aumento no desemprego pode não indicar um aumento na folga. Assim, nossa política monetária normal do lado da demanda pode não ser capaz de amenizar um período de desemprego causado pela IA sem também aumentar a pressão inflacionária”.
O presidente da distrital do Fed em Chicago, Austan Goolsbee, destacou que cortes de juros só seriam plausíveis se a inflação recuar, e afirmou, “Estou otimista de que, até o final de 206, seria apropriado que [a taxa básica de juros] sofresse mais alguns cortes”.
Dados do Brasil que influenciam a cotação
No front doméstico, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,803 bilhões, segundo comunicado citado pelo g1.
O dado fiscal ajuda a explicar a entrada de capital estrangeiro que pressionou o dólar para baixo e beneficiou o Ibovespa, que na véspera subiu 1,40%, aos 191.490,40 pontos.
Além disso, o Banco Central divulgou que as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, pior que a projeção de US$ 6,4 bilhões, mas inferior ao déficit de US$ 9,8 bilhões de janeiro de 2025.
O BC informou que o resultado foi parcialmente compensado por aumento do superávit na balança de bens, e que, no acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB.
Cenário dos mercados e expectativas
Os principais índices americanos fecharam em alta na sessão anterior, com o Dow Jones avançando 0,76%, o S&P 500 subindo 0,78% e a Nasdaq ganhando 1,05%, refletindo busca por ativos de risco diante de notícias corporativas e apesar das incertezas sobre tarifas.
Na Europa, o índice STOXX 600 subiu 0,23%, enquanto na Ásia o clima foi mais positivo, com o CSI300 e o Nikkei em alta, pressionados em parte pela expectativa de que mudanças nas tarifas dos EUA possam beneficiar a China.
Para o restante do dia, investidores seguem de olho nos balanços da Nvidia, nas falas do Fed, e no fluxo cambial semanal no Brasil, fatores que devem determinar a direção do dólar e do Ibovespa nas próximas sessões.