Dólar cai com foco em EUA e nas contas públicas do Brasil, Trump aplica tarifa extra de 10% e Tesouro reporta superávit primário de R$ 86,9 bilhões

Mercados reagem a medidas comerciais dos EUA, falas do Federal Reserve, balanço da Nvidia e ao superávit primário de R$ 86,9 bilhões do Tesouro, e o dólar recua nas primeiras horas

O dólar operava em queda na manhã desta quarta-feira, com investidores avaliando sinais vindos dos Estados Unidos e as contas públicas do Brasil.

Por volta das 9h15, a moeda americana recuava 0,48%, cotada a R$ 5,1305, enquanto a atenção se dividia entre o discurso do presidente americano e dados fiscais nacionais.

No Brasil, o Tesouro Nacional divulgou o desempenho das contas do governo em janeiro, e outros eventos globais também influenciaram o ambiente de risco, conforme informação divulgada pelo g1.

Movimento do dólar e da bolsa

Na véspera, a moeda americana caiu 0,26%, cotada a R$ 5,1553, enquanto o principal índice da bolsa brasileira registrou alta e novas máximas. O Ibovespa encerrou em 191.490,40 pontos, com avanço de 1,40%.

Além dos preços pontuais, os acumulados mostram trajetória recente, com o dólar na semana em -0,40%, no mês em -1,76%, e no ano em -6,07%. O Ibovespa tem acumulado na semana +0,50%, no mês +5,58%, e no ano +18,85%.

Contas públicas e efeitos sobre a confiança

O Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões. Em comparação com janeiro do ano passado, houve leve piora, já que, em 2024, o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.

O resultado foi favorecido pela arrecadação federal, que atingiu o maior nível para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, segundo reportes. Para 2026, a meta central é um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto, o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões, com uma faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que permite que a meta seja cumprida mesmo com resultado zero ou até com superávit de R$ 68,6 bilhões.

O arcabouço fiscal também permite ao governo excluir até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo, como gastos com precatórios. Na prática, a previsão é de que o governo registre um déficit de R$ 23,3 bilhões em 2026, mesmo que, no cálculo oficial da meta, apareça um resultado positivo, o que sinaliza possibilidade de contas públicas no vermelho durante o mandato.

Agenda dos EUA, tarifas e sinais do Federal Reserve

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump evitou mencionar a China em seu discurso sobre o Estado da União, às vésperas de viagem a Pequim, e citou ameaças ao Irã e a operação contra Nicolás Maduro. A decisão de política comercial também teve destaque, com a Alfândega e Proteção de Fronteiras informando que os EUA passaram a aplicar, a partir de hoje, uma tarifa adicional de 10% sobre produtos não cobertos por isenções.

A medida foi detalhada pela CBP como correspondente à taxa inicialmente anunciada pelo presidente na Proclamação Presidencial de 20 de fevereiro de 2026, e não aos 15% mencionados por ele depois. A decisão ampliou a incerteza sobre a política comercial americana, e os mercados acompanharam com atenção.

Investidores também aguardam o balanço da Nvidia, a ser divulgado após o fechamento, e discursos de dirigentes do Federal Reserve. A diretora Lisa Cook afirmou que, “Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações“, e que “Em um boom de produtividade como este, um aumento no desemprego pode não indicar um aumento na folga. Assim, nossa política monetária normal do lado da demanda pode não ser capaz de amenizar um período de desemprego causado pela IA sem também aumentar a pressão inflacionária“.

O presidente da distrital do Fed em Chicago, Austan Goolsbee, disse que o Fed pode voltar a cortar os juros se a inflação começar a cair, e afirmou, “Estou otimista de que, até o final de 206, seria apropriado que [a taxa básica de juros] sofresse mais alguns cortes“, mas alertou para o risco de antecipar demais o momento dos cortes sem evidências claras sobre a inflação.

Panorama global e conclusão

Em Wall Street, os três principais índices fecharam em alta, com o Dow Jones avançando 0,76%, o S&P 500 subindo 0,78%, e a Nasdaq ganhando 1,05%, em meio a notícias sobre inteligência artificial e a nova política de tarifas. Na Europa, o índice STOXX 600 teve leve alta de 0,23%, e na Ásia os mercados reagiram positivamente ao retorno de investidores chineses, com destaque para avanços em Xangai, CSI300 e mercados em Tóquio, Seul e Taiwan.

No conjunto, o movimento do dólar reflete tanto fatores externos, como a política comercial e decisões do Fed, quanto os números fiscais brasileiros, com investidores avaliando o impacto dessas variáveis sobre fluxo de capitais e risco doméstico nos próximos dias.