Abertura de 2026 traz queda do dólar, alta do Ibovespa com ações de mineração e siderurgia, e sinais mistos do exterior que mantêm a atenção de investidores
O primeiro pregão útil de 2026 começou com um clima mais positivo para investidores no Brasil, com destaque para as ações ligadas a commodities.
Enquanto o dólar abriu em queda, o principal índice da bolsa brasileira registrou expectativa de alta na abertura, sustentada por demanda externa e fundamentos locais.
No fechamento das primeiras negociações do ano, os números mostram continuidade da tendência observada em 2025, conforme informação divulgada pelo g1
Dólar e mercado externo
O dólar abriu o primeiro dia útil de 2026 em queda, cotado a R$ 5,4710, com baixa de 0,34% às 9h desta sexta-feira, 02.
No último pregão de 2025, realizado na terça-feira, 30, a moeda americana fechou em queda de 1,47%, cotada a R$ 5,4887, e fechou o ano com desvalorização superior a 10%.
Os indicadores de curto prazo mostram a oscilação do câmbio em números, com acumulados divulgados pelo mercado, Acumulado da semana: -0,99%, Acumulado do mês: +2,88%, Acumulado do ano: -11,18%.
Analistas apontam que as apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, preocupações com o déficit fiscal dos Estados Unidos, e tensões comerciais globais foram fatores que pressionaram o dólar ao longo de 2025, e seguem influenciando as expectativas em 2026.
Ibovespa e o papel das commodities
O Ibovespa encerrou 2025 em alta, com o índice subindo 0,40% no último pregão e fechando aos 161.125 pontos, em um ano de valorização superior a 30%, o maior ganho desde 2016.
Para o início de 2026, o principal impulso para a bolsa vem das ações ligadas a commodities, como mineração e siderurgia, que tendem a ganhar força logo na abertura.
Parte desse otimismo tem origem na China, que reafirmou a meta de crescer 5%, pressionando por níveis elevados de investimento em infraestrutura e indústria, e reforçando a demanda por matérias-primas fornecidas pelo Brasil.
Ao mesmo tempo, medidas como novas cotas e tarifas da China sobre carne pressionam o setor de proteína animal, mostrando que o panorama do comércio global segue com restrições que afetam segmentos específicos.
Os acumulados do Ibovespa refletem o desempenho recente, Acumulado da semana: +0,14%, Acumulado do mês: +1,29%, Acumulado do ano: +33,95%, números que ajudam a explicar o apetite por ações ligadas a commodities neste começo de ano.
Riscos, juros e ativos refúgio
No Brasil, o mercado de trabalho aquecido, com desemprego baixo e renda em alta, sustenta o consumo, mas mantém a inflação de serviços pressionada, reduzindo o espaço para cortes rápidos de juros.
A situação fiscal continua no radar, já que o avanço do déficit e da dívida pública pressiona juros e limita o apetite por risco, influenciando a dinâmica entre renda variável e câmbio.
Entre ativos refugio, o ouro subiu mais de 1% no primeiro pregão do ano, ampliando um movimento histórico: em 2025, o metal teve a maior valorização em 46 anos, enquanto o petróleo tenta se recuperar após o pior ano desde 2020.
Analistas lembram que o desempenho do primeiro dia do ano não costuma ser determinante para a trajetória de todo o período, porém, o foco segue em decisões de política monetária, resultados corporativos e impactos de políticas públicas globais e domésticas.
O que observar nos próximos dias
Investidores devem acompanhar a volta dos mercados internacionais que estavam fechados por feriados, dados de inflação e emprego, e anúncios de política econômica nos grandes centros, que podem alterar a trajetória do dólar.
No cenário doméstico, a leitura de indicadores de atividade, sinalizações do Banco Central e notícias sobre a situação fiscal serão determinantes para as taxas de juros e para o apetite por risco no Brasil.
Em resumo, a abertura de 2026 mostra um dólar mais fraco e um Ibovespa apoiado por commodities, porém, o equilíbrio entre otimismo e risco permanece delicado para os investidores.