Dólar cai no primeiro pregão de 2026 e mantém tendência de 2025, Ibovespa sobe com commodities e apoio da China à demanda por minério

Dólar abre em queda, cotado a R$ 5,4518 às 9h, refletindo fraqueza externa e apostas em cortes do Fed, enquanto Ibovespa é impulsionado por mineração e siderurgia

O primeiro pregão de 2026 começou com um tom mais positivo para investidores no Brasil, com expectativa de alta do Ibovespa e recuo do dólar, em continuidade ao desempenho de fim de 2025.

As ações ligadas a commodities, sobretudo mineração e siderurgia, vinham como principal impulso para a sessão de abertura, por conta da manutenção das metas de crescimento da China e da perspectiva de demanda por matérias-primas.

O cenário combina fatores externos, como apostas em política monetária nos EUA, e internos, como mercado de trabalho aquecido, conforme informação divulgada pelo g1.

Movimento do câmbio no primeiro dia útil

O dólar abriu o primeiro dia útil do ano em queda, cotado a R$ 5,4518, com baixa de 0,68% às 9h desta sexta-feira (02). No último pregão de 2025, realizado na terça-feira (30), a moeda americana fechou em queda de 1,47%, cotada a R$ 5,4887.

A moeda americana encerrou o ano com desvalorização superior a 10%, e 2025 foi apontado como o pior desempenho anual do dólar em quase uma década.

O que explica a queda do dólar

Entre os fatores que pressionaram a moeda, pesaram as apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, as preocupações com o alto déficit das contas públicas americanas, a guerra comercial global e as dúvidas sobre a condução da política econômica pelo presidente Donald Trump. Esses elementos reduziram o apetite por dólar e favoreceram ativos de proteção, como o ouro.

Com volume de negociação reduzido devido a feriados em importantes mercados, o movimento cambial seguiu alinhado ao comportamento global, mesmo com bolsas em alta em resposta a expectativas de lucros corporativos melhores em 2026.

Ibovespa, commodities e o papel da China

O Ibovespa encerrou 2025 em clima positivo, no último pregão do ano o índice subiu 0,40% e fechou aos 161.125 pontos. No acumulado de 2025, a valorização passou de 30%, o maior ganho anual desde 2016.

Para a abertura de 2026, o principal impulso esperado veio das ações ligadas a commodities. A China reafirmou a meta de crescer 5%, o que exige investimentos elevados em infraestrutura e indústria, aumentando a demanda por minério de ferro e outros insumos, favorecendo empresas brasileiras do setor.

Em contrapartida, novas cotas e tarifas chinesas sobre a carne pressionam o setor de proteína animal, sinalizando um cenário de comércio global mais restritivo em 2026.

Mercado global, metais e indicadores de curto prazo

As bolsas globais começaram 2026 em alta, com destaque para Europa e mercados asiáticos que exibiram ganhos, enquanto Japão e China continental ficaram fechados por feriados. No primeiro pregão do ano, o ouro subiu mais de 1%, e em 2025 o metal teve a maior valorização em 46 anos, refletindo busca por proteção diante da fraqueza do dólar e da expectativa de juros mais baixos nos EUA.

O petróleo iniciou 2026 tentando se recuperar após 2025, ano de forte queda, com Brent e WTI oscilando pouco na abertura, diante de dúvidas sobre crescimento global e demanda por energia.

Dados rápidos

Acumulado da semana: -0,99%;Acumulado do mês: +2,88%;Acumulado do ano: -11,18%.

Acumulado da semana: +0,14%;Acumulado do mês: +1,29%;Acumulado do ano: +33,95%.

O cenário para os próximos dias permanece atrelado ao calendário de política monetária global, ao ritmo de recuperação da economia chinesa e à situação fiscal no Brasil, com atenção à inflação de serviços e ao mercado de trabalho, que influenciam o espaço para cortes de juros por aqui.