Reação dos mercados às tensões entre EUA e Europa e às projeções domésticas, com o dólar oscilando próximo a R$ 5,37 e o Ibovespa recuando diante de incertezas
O início da semana traz menor liquidez por causa do feriado nos Estados Unidos, e os investidores monitoram sinais políticos e comerciais que afetam ativos, câmbio e commodities.
As pressões externas, somadas às novas projeções do Boletim Focus, colocam em foco a trajetória da Selic e a estratégia de empresas e fundos diante de riscos geopolíticos.
Os dados e acontecimentos relatados a seguir são apresentados conforme informação divulgada pelo g1
Movimento do câmbio e da bolsa
Na última sessão, a moeda americana fechou com um avanço de 0,08%, cotada a R$ 5,3725, enquanto a bolsa recuou 0,46%, aos 164.800 pontos.
Na manhã desta segunda-feira (19), o dólar operava em queda de 0,07%, por volta das 11h30, cotado a R$ 5,3687, e o Ibovespa caía 0,21%, aos 164.460 pontos.
No acumulado, o dólar registra na semana +0,14%, no mês -2,12% e no ano -2,12%, enquanto o Ibovespa aparece com +0,88% na semana, +2,28% no mês e +2,28% no ano.
Tensões entre EUA e União Europeia
O clima de aversão ao risco aumentou após o presidente Donald Trump anunciar que pretende impor tarifas sobre produtos de oito países europeus se houver oposição à ideia de compra da Groenlândia.
Trump publicou na rede Truth Social, “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%“, segundo relato da matéria.
Em reação, autoridades europeias discutem medidas de retaliação, incluindo tarifas de cerca de € 93 bilhões ou restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado do bloco, conforme apuração citada na cobertura.
Boletim Focus e expectativas domésticas
O Boletim Focus trouxe ajustes nas projeções para 2026, com a estimativa da inflação recuando levemente, de 4,05% para 4,02%, e a mediana da taxa Selic avançando de 9,88% para 10%.
Para 2027, a expectativa de inflação foi mantida em 3,80%, e para 2028 e 2029 em 3,50%. A projeção para o fim de 2026 mantém a Selic em 12,25%, e para o fim de 2027 em 10,50%.
O mercado manteve a estimativa de crescimento do PIB em 1,80% para 2026, e a projeção para o câmbio é que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
Cenário externo e commodities
Em dia de feriado nos EUA, os futuros de Wall Street operavam em tom negativo, com o S&P 500 futuro recuando 0,8%, o Dow Jones futuro caindo 0,7% e o Nasdaq futuro perdendo 1,32%.
Na Europa, os principais índices registravam perdas, com o DAX caindo 1,1%, o CAC 40 recuando 1,3% e o FTSE 100 perdendo 0,3%, diante das incertezas sobre tarifas e retaliações.
Os preços do petróleo caíam, com o Brent em US$ 63,66, queda de 0,73%, e o WTI em US$ 58,92, recuo de 0,47%, num contexto que também inclui preocupações com o Irã e a sucessão no Federal Reserve.
Na Ásia, o movimento foi misto, com Xangai subindo, CSI300 levemente positivo e o Hang Seng em queda, enquanto o Nikkei e outros índices regionais mostraram variação conforme dados econômicos locais e medidas de política monetária.
Com esses fatores, investidores no Brasil seguem de perto as repercussões internacionais e as projeções internas, para calibrar posições no câmbio, na renda variável e em ativos sensíveis a commodities.