Dólar e Ibovespa caem com tensão entre EUA e Europa, ameaça de tarifas de Trump à Groenlândia e projeções do Boletim Focus influenciando investidores

Mercados acompanham anúncios sobre tarifas, projeções de inflação e juros no Boletim Focus, além de menor liquidez por feriado nos EUA, com dólar e Ibovespa em movimento

O início da semana trouxe recuos no câmbio e na bolsa, enquanto investidores monitoram tensões entre os Estados Unidos e países europeus e dados econômicos domésticos.

Na manhã desta segunda-feira, o dólar operava em leve queda, e o Ibovespa mostrava leve recuo, em um cenário de menor liquidez por causa do feriado nos EUA e de ruídos geopolíticos na Europa.

Os números do fechamento da sexta-feira e as projeções do Boletim Focus ajudam a formar o cenário que será detalhado a seguir, conforme informação divulgada pelo g1

Oscilação do câmbio e da bolsa

Na última sexta-feira, a moeda americana fechou com um avanço de 0,08%, cotada a R$ 5,3725, e a bolsa recuou 0,46%, aos 164.800 pontos. Já nesta segunda-feira, por volta das 11h30, o dólar operava em queda de 0,07%, cotado a R$ 5,3687, e o Ibovespa caía 0,21%, aos 164.460 pontos.

Esses movimentos mostram que o dólar e o Ibovespa seguem sensíveis a notícias externas e a leituras domésticas, com variações relativamente pequenas, mas que podem ganhar força conforme a semana avançar.

Boletim Focus e implicações para juros e inflação

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central trouxe ajustes modestos nas previsões para 2026, com a estimativa da inflação recuando de 4,05% para 4,02%, e a mediana da taxa Selic avançando de 9,88% para 10%.

O mercado projeta a Selic em 12,25% ao ano para o fim de 2026, o que indica expectativa de redução gradual dos juros em relação ao patamar de 15% ao ano visto no final de 2025.

Para o câmbio, a projeção do mercado é de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50, segundo o relatório citado.

Tensões entre EUA e Europa pressionam ativos

O clima de atenção no exterior vem das ameaças do presidente Donald Trump de impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus, no contexto de uma disputa sobre a Groenlândia.

Na rede social Truth Social, Trump afirmou, textualmente, que, “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%”, e que as cobranças permaneceriam até a conclusão de um acordo sobre a Groenlândia.

Em resposta, países da União Europeia avaliam medidas de retaliação, incluindo a aplicação de tarifas de € 93 bilhões ou restrições a empresas americanas, o que ampliou a cautela nos mercados europeus e nos futuros de Wall Street.

Impacto global, petróleo e perspectivas

No mercado de commodities, os preços do petróleo recuavam, com o Brent caindo 0,73%, a US$ 63,66, e o WTI cedendo 0,47%, a US$ 58,92, em meio a preocupações geopolíticas distintas, inclusive com o Irã, e à sucessão no Federal Reserve.

Os futuros em Wall Street mostravam cautela, com o S&P 500 futuro recuando 0,8%, o Dow Jones futuro caindo 0,7% e o Nasdaq futuro perdendo 1,32%, enquanto bolsas europeias operavam no vermelho, com o DAX em queda de 1,1%, o CAC 40 recuando 1,3% e o FTSE 100 perdendo 0,3%.

Em resumo, o comportamento do dólar e do Ibovespa nesta segunda-feira reflete uma combinação de fatores domésticos e externos, com destaque para o Boletim Focus e para a escalada de pressões comerciais entre os EUA e a União Europeia.