Dólar e Ibovespa caem com tensão entre EUA e Europa, ameaças de tarifas de Trump e sinal do Boletim Focus elevam cautela de investidores
Dólar e Ibovespa recuam na abertura, com mercado atento a ameaças de tarifas, possível retaliação da União Europeia, projeções do Boletim Focus e sinais globais sobre juros e petróleo
O dólar e Ibovespa começaram a semana em movimento de baixa e cautela, em dia com liquidez reduzida por feriado nos Estados Unidos e ruídos geopolíticos entre EUA e Europa.
Investidores monitoram anúncios de tarifas e respostas europeias, além de projeções econômicas internas que influenciam expectativas sobre juros e crescimento.
Informações e dados a seguir foram apurados conforme informação divulgada pelo g1.
Movimentação do câmbio e da bolsa
O dólar opera em queda nesta segunda-feira, com recuo de 0,07% por volta das 11h30, cotado a R$ 5,3687. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 0,21%, aos 164.460 pontos.
Na sexta-feira, a moeda americana fechou com um avanço de 0,08%, cotada a R$ 5,3725. A bolsa, por sua vez, recuou 0,46%, aos 164.800 pontos.
No acumulado, o dólar registra na semana +0,14%, no mês -2,12% e no ano -2,12%. O Ibovespa acumula na semana +0,88%, no mês +2,28% e no ano +2,28%.
Tensões entre EUA e Europa elevam aversão a risco
As perdas do dia refletem, em grande parte, a escalada de tensão política entre Estados Unidos e países europeus, após o presidente Donald Trump anunciar intenção de impor tarifas adicionais.
Trump publicou que, "A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%".
Em reação, governos europeus avaliam medidas que vão desde a aplicação de tarifas de € 93 bilhões sobre produtos americanos até a limitação do acesso de empresas dos EUA ao mercado do bloco, segundo o Financial Times, e estudam também o uso do chamado instrumento anticoerção.
Boletim Focus e cenário doméstico
O Boletim Focus, divulgado nesta segunda pelo Banco Central, trouxe mudanças pontuais nas projeções para 2026. A estimativa da inflação recuou levemente, de 4,05% para 4,02%, enquanto a mediana da taxa Selic avançou de 9,88% para 10%.
Para o fim de 2026, a projeção para a Selic foi mantida em 12,25% ao ano, e a expectativa para 2027 segue em 10,50% ao ano. A previsão de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em alta de 1,80%.
No campo do câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50, o que também pesa nas decisões de investidores e gestores locais.
Bolsas globais e petróleo
Mesmo com Wall Street fechado por Martin Luther King Jr. Day, os futuros dos índices mostravam pessimismo, com o S&P 500 futuro recuando 0,8%, o Dow Jones futuro caindo 0,7% e o Nasdaq futuro perdendo 1,32%.
Na Europa, os principais índices operavam em baixa, com o DAX caindo 1,1% para 25.020,35 pontos, o CAC 40 recuando 1,3% para 8.150,78 pontos, e o FTSE 100 perdendo 0,3% para 10.206,12 pontos.
As preocupações geopolíticas e sinais sobre a economia global também pressionaram o petróleo, com o Brent caindo 0,73%, a US$ 63,66, e o WTI cedendo 0,47%, a US$ 58,92 por volta das 9h, o que contribui para a cautela nos mercados.
O cenário segue sujeito a desdobramentos políticos e a próximos dados econômicos, inclusive decisões de política monetária e movimentos de commodities, fatores que deverão manter o dólar e Ibovespa sob influência nos próximos pregões.