Dólar e Ibovespa operam com volatilidade, com investidores atentos à ameaça de tarifas de 10% anunciada por Donald Trump, possíveis retaliações da UE, Boletim Focus e recuo do petróleo
O início da semana trouxe movimento de cautela nos mercados, com o câmbio e a bolsa brasileira reagindo a riscos externos e a dados domésticos. A liquidez fica reduzida pelo feriado nos Estados Unidos, e investidores acompanham sinais de política e commodities.
Além das incertezas globais, o Brasil tem nesta segunda-feira revisões do mercado financeiro, enquanto o preço do petróleo recua e pressiona ativos sensíveis ao risco. As notícias sobre negociações entre EUA e Europa sobre a Groenlândia elevaram o tom do noticiário.
Dados e declarações recentes, reunidos em reportagens sobre o fechamento do pregão e projeções do mercado, mostram um cenário de ajuste e atenção por parte dos investidores, conforme informação divulgada pelo g1
Movimento do câmbio e da bolsa
Na abertura da semana, o **dólar** operou em queda, com recuo de 0,07% por volta das 11h30, cotado a R$ 5,3687, e o **Ibovespa** caía 0,21%, aos 164.460 pontos. No fechamento da sexta-feira anterior, a moeda americana tinha avançado 0,08%, cotada a R$ 5,3725, e a bolsa recuado 0,46%, aos 164.800 pontos.
Os acumulados indicam lenta oscilação, com o dólar registrando na semana +0,14%, no mês -2,12% e no ano -2,12%. O Ibovespa aparece com acumulado da semana +0,88%, do mês +2,28% e do ano +2,28%.
Ameaça de tarifas e resposta europeia
O presidente Donald Trump anunciou intenção de impor tarifas adicionais a oito países europeus caso avancem contra o plano dos EUA sobre a Groenlândia. No anúncio ele afirmou, traduzido para o português, “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA, Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.”
Em resposta, autoridades europeias estudam aplicar tarifas de € 93 bilhões sobre produtos americanos ou restringir o acesso de empresas dos EUA ao mercado do bloco, segundo reportagem citada por veículos internacionais. O risco de escalada elevou a aversão ao risco nas praças europeias e nos futuros de Wall Street.
Impacto nas bolsas e nas commodities
Os futuros de Wall Street mostravam queda, com o S&P 500 futuro recuando 0,8%, o Dow Jones futuro caindo 0,7% e o Nasdaq futuro perdendo 1,32%. Na Europa, o DAX caiu 1,1% para 25.020,35 pontos, o CAC 40 recuou 1,3% para 8.150,78 pontos e o FTSE 100 perdeu 0,3% para 10.206,12 pontos.
Os preços do petróleo recuaram, com o Brent caindo 0,73%, a US$ 63,66, e o WTI cedendo 0,47%, a US$ 58,92 por volta das 9h, pressionando ativos ligados a energia e influenciando a percepção de risco global.
Boletim Focus e perspectiva doméstica
No Brasil, o Boletim Focus trouxe ajustes modestos, com a estimativa de inflação para 2026 reduzida de 4,05% para 4,02%, e a mediana da taxa Selic avançando de 9,88% para 10%.
O mercado manteve projeções para os anos seguintes, com inflação esperada em 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028 e 2029. A expectativa para a Selic ao fim de 2026 foi mantida em 12,25% ao ano, e para 2027 em 10,50% ao ano. A projeção para o crescimento do PIB em 2026 ficou em alta de 1,80%, e a previsão cambial manteve o dólar encerrando 2026 em R$ 5,50.
Analistas destacam que, depois de a Selic ter encerrado 2025 em 15% ao ano, o mercado continua a projetar queda gradual dos juros, mesmo com o ajuste nas expectativas de curto prazo, e que eventos geopolíticos podem alterar prazos e intensidade desse processo.