Dólar e Ibovespa recuam com tensão EUA-União Europeia após ameaças de tarifas de Trump à Groenlândia, mercado monitora Boletim Focus, Selic, inflação e petróleo
Queda do dólar e do Ibovespa segue nervosismo global após anúncio de tarifas de Trump a países europeus, com investidores de olho no Boletim Focus, na Selic, na inflação e no preço do petróleo
Dólar e Ibovespa operam em movimento de baixa nesta segunda-feira, em meio a um cenário global mais tenso e a dados e projeções econômicas no Brasil que influenciam o sentimento dos investidores.
O recuo ocorre com liquidez reduzida por conta do feriado nos Estados Unidos, e com mercados europeus reagindo a ameaças de aumento de tarifas entre EUA e União Europeia.
Os principais indicadores de curto prazo, como inflação projetada, taxa Selic e preços do petróleo, entram no radar, conforme informação divulgada pelo g1.
Leitura dos números, variações e acumulados
Na sexta-feira, a moeda americana fechou com um avanço de 0,08%, cotada a R$ 5,3725, e a bolsa, por sua vez, recuou 0,46%, aos 164.800 pontos.
Já nesta segunda, “o dólar opera em queda nesta segunda-feira (19), com recuo de 0,07% por volta das 11h30, cotado a R$ 5,3687. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 0,21%, aos 164.460 pontos.”
No acumulado, os indicadores mostram movimentos distintos, com o câmbio e a bolsa refletindo oscilações recentes do fluxo e do risco global. Sobre o dólar os dados registrados foram, Acumulado da semana: +0,14%;Acumulado do mês: -2,12%;Acumulado do ano: -2,12%., e para o Ibovespa, Acumulado da semana: +0,88%;Acumulado do mês: +2,28%;Acumulado do ano: +2,28%.
Tensão entre EUA e Europa e o impacto direto nos mercados
O movimento nas bolsas europeias e nos futuros de Wall Street se deu após ameaça do presidente Donald Trump de impor tarifas adicionais de 10% a oito países europeus, o que elevou o grau de aversão ao risco.
Em publicação na rede social do presidente, foi afirmado, “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.”
Como resposta, autoridades europeias avaliam aplicar tarifas de € 93 bilhões, ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado da União Europeia, medidas que elevam incertezas sobre comércio e cadeias de valor.
Boletim Focus e cenários para juros, inflação e crescimento
O Boletim Focus desta semana trouxe ajustes nas projeções, com a estimativa da inflação para 2026 recuando levemente, de 4,05% para 4,02%, enquanto a mediana da taxa Selic avançou de 9,88% para 10%.
Para os anos seguintes, o mercado projeta inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% tanto em 2028 quanto em 2029, e manteve a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
Os analistas mantiveram a previsão para o fim de 2026 da Selic em 12,25% ao ano, e para 2027 a projeção segue em 10,50% ao ano. A expectativa de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em alta de 1,80%.
Commodities, Fed e calendário, fatores que seguem influenciando
Além do atrito comercial, o mercado olha para o petróleo e riscos geopolíticos. Na manhã citada, o Brent caía 0,73%, a US$ 63,66, e o WTI cedia 0,47%, a US$ 58,92, alinhando pressões baixistas sobre índices sensíveis a energia.
Os sinais sobre a sucessão no Federal Reserve e a menor liquidez por conta do feriado de Martin Luther King Jr. Day nos EUA também contribuem para movimentos mais amplos e volatilidade nos ativos globais.
Para as próximas sessões, agentes econômicos acompanham a evolução das negociações entre EUA e Europa, a reação da União Europeia, os próximos boletins de dados e qualquer novo sinal sobre a política de juros no Brasil e no exterior.