Dólar e Ibovespa recuam com tensões entre EUA e Europa, ameaça de tarifas de Trump e Boletim Focus, entenda impacto no câmbio, Selic e bolsa

Na abertura da semana, dólar e Ibovespa oscilam com feriado nos EUA, projeções do Boletim Focus para 2026 e risco de retaliação europeia, veja números e cenários

O mercado brasileiro começou a semana em movimento, com o câmbio registrando leve recuo e a bolsa operando em baixa, enquanto investidores acompanham sinais externos e projeções internas.

A menor liquidez por conta do feriado de Martin Luther King Jr., nos EUA, e as novas ameaças de tarifas entre Washington e países europeus elevaram a cautela nos mercados globais.

Internamente, as novas projeções do Boletim Focus e dados sobre juros e crescimento pautam as decisões de investidores, que avaliam efeitos sobre inflação, Selic e fluxo cambial, conforme informação divulgada pelo g1

Mercado brasileiro e números do dia

Na sexta-feira, a moeda americana fechou com um avanço de 0,08%, cotada a R$ 5,3725, a bolsa, por sua vez, recuou 0,46%, aos 164.800 pontos.

Já nesta segunda-feira (19), por volta das 11h30, o dólar opera em queda de 0,07%, cotado a R$ 5,3687, e o Ibovespa caía 0,21%, aos 164.460 pontos.

Os indicadores de curto prazo mostram também os acumulados, que refletem a oscilação recente do câmbio e da bolsa: Acumulado da semana: +0,14%;Acumulado do mês: -2,12%;Acumulado do ano: -2,12% para o dólar, e Acumulado da semana: +0,88%;Acumulado do mês: +2,28%;Acumulado do ano: +2,28% para o Ibovespa.

Boletim Focus e projeções para 2026

O Boletim Focus trouxe ajustes modestos nas estimativas para 2026, com a inflação projetada recuando de 4,05% para 4,02% e a mediana da taxa Selic apontando movimentação, com a mediana da taxa Selic avançou de 9,88% para 10.

O mercado manteve outras projeções, com inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% em 2028 e 2029, e a previsão de crescimento do PIB para 2026 em alta de 1,80%.

Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano, o que indica uma queda de 2,25 pontos percentuais em relação ao nível atual, e a expectativa para 2027 segue em 10,50% ao ano. A projeção para o câmbio aponta que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.

Tensões EUA-Europa e impacto sobre ativos

O ambiente internacional pressionou os mercados, após o presidente dos EUA anunciar intenção de impor tarifas sobre países europeus em reação à oposição à compra da Groenlândia. Entre as medidas anunciadas está a ameaça de aplicar uma tarifa de 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026, com aumento para 25% em 1º de junho de 2026.

Na rede social Truth Social, o presidente afirmou, em trecho divulgado pelo g1, “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.”

Em reação, países da União Europeia avaliam medidas que incluem a aplicação de tarifas de € 93 bilhões, cerca de R$ 580 bilhões, ou restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu, além do uso do chamado “instrumento anticoerção”.

No exterior, os futuros de Wall Street apontavam cautela, com o S&P 500 futuro recuando 0,8%, o Dow Jones futuro caindo 0,7% e o Nasdaq futuro perdendo 1,32%. Na Europa, índices como o DAX recuavam 1,1% para 25.020,35 pontos, o CAC 40 caía 1,3% para 8.150,78 pontos, e o FTSE 100 perdia 0,3% para 10.206,12 pontos.

Os preços do petróleo também refletiam incertezas, com o Brent caindo 0,73% a US$ 63,66 e o WTI recuando 0,47% a US$ 58,92 por volta das 9h, enquanto preocupações geopolíticas com o Irã e a sucessão no Federal Reserve permanecem no radar.

Cenários e o que vem pela frente

Com menor liquidez por causa do feriado nos EUA e ruídos geopolíticos, o mercado deve seguir sensível a novos anúncios sobre tarifas e a dados econômicos domésticos, em especial os indicadores de inflação e mensagens do Banco Central sobre a trajetória da Selic.

Investidores brasileiros monitoram também o desenvolvimento das negociações entre Washington e a União Europeia, e como essas tensões poderão afetar fluxos de capital, preço das commodities e, consequentemente, o comportamento do câmbio e da bolsa.

Os próximos dias devem trazer retomada da negociação em Wall Street, divulgação de dados locais e internacionais, e possíveis desdobramentos nas medidas prometidas, fatores que podem ampliar a volatilidade do dólar e do Ibovespa.