Dólar e Ibovespa recuam com tensões entre EUA e Europa, ameaça de tarifas de Trump e Boletim Focus, entenda impactos no câmbio e na bolsa brasileira
Dólar e Ibovespa operam com volatilidade nesta segunda, com dólar próximo a R$ 5,37 e índice abaixo de 165 mil pontos, mercado reage a ruídos geopolíticos e projeções
O início da semana traz menor liquidez por causa do feriado nos Estados Unidos, e mesmo assim o mercado financeiro segue sensível a notícias externas e a números domésticos.
Investidores acompanham a escalada de tensões entre EUA e países europeus, detalhes do Boletim Focus e sinais das commodities para avaliar risco e retorno.
As movimentações refletem-se no câmbio e na bolsa, com impactos que podem se estender a juros e previsões econômicas, conforme informação divulgada pelo g1
Oscilações imediatas no câmbio e na bolsa
Na comparação mais recente, os dados mostram movimentos modestos, porém relevantes, para quem opera no curtíssimo prazo. Na sexta-feira, a moeda americana fechou com um avanço de 0,08%, cotada a R$ 5,3725, e a bolsa, por sua vez, recuou 0,46%, aos 164.800 pontos.
Já na manhã desta segunda, o dólar opera em queda nesta segunda-feira (19), com recuo de 0,07% por volta das 11h30, cotado a R$ 5,3687, e o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, caía 0,21%, aos 164.460 pontos. Esses números mostram que o mercado permanece sensível a notícias externas e à menor liquidez por causa do feriado nos EUA.
Boletim Focus e projeções domésticas
As expectativas internas também ajudam a formar o cenário de curto e médio prazo. De acordo com o relatório, os economistas do mercado financeiro reduziram levemente a previsão de inflação para 2026, de 4,05% para 4,02%, enquanto a mediana da taxa Selic avançou de 9,88% para 10.
No detalhamento do Boletim Focus, as projeções para os próximos anos foram mantidas em pontos importantes: Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano, e a expectativa para 2027 também não mudou: o mercado continua projetando a Selic em 10,50% ao ano. Para o câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
Tensões entre EUA e Europa e impacto global
O clima de risco internacional ganhou força após anúncio do presidente dos EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos importados de oito países europeus, caso eles se posicionem contra o plano dos EUA de comprar a Groenlândia.
Na rede social Truth Social, Trump afirmou, entre outras medidas, “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%”. Em resposta, governos europeus estudam retaliações, incluindo tarifas de € 93 bilhões ou restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu.
Commodities, bolsas e pontos de atenção
Os preços do petróleo também reagiram ao ambiente, com o Brent caindo 0,73%, a US$ 63,66, e o WTI cedendo 0,47%, a US$ 58,92 por volta das 9h (horário de Brasília), pressionando ativos sensíveis ao ciclo global.
Mesmo com Wall Street em feriado, os futuros indicavam cautela, com o S&P 500 futuro recuando 0,8%, o Dow Jones futuro caindo 0,7% e o Nasdaq futuro perdendo 1,32%. Na Europa, os índices operavam em queda, como o DAX em -1,1% a 25.020,35 pontos, o CAC 40 em -1,3% a 8.150,78 pontos, e o FTSE 100 em -0,3% a 10.206,12 pontos.
Na Ásia, houve desempenho misto, com destaque para dados chineses que mostraram crescimento mais fraco, e respostas de política monetária local, refletindo em quedas e altas pontuais nos índices regionais.
O que os investidores devem acompanhar
Para o curto prazo, acompanhe liquidez do mercado por conta do feriado nos EUA, anúncios sobre tarifas entre Washington e Bruxelas, e divulgação de números econômicos domésticos que podem mexer com expectativas de juros.
No médio prazo, as projeções do Boletim Focus, os desdobramentos das tensões geopolíticas e a evolução dos preços das commodities serão determinantes para a trajetória do câmbio e do índice acionário brasileiro.