Dólar em alta abre a R$ 5,2240 com mercado de olho na inflação nos EUA, desdobramentos do caso Banco Master e balanços de Banco do Brasil e Vale

Dólar em alta e volatilidade nos mercados, com CPI dos EUA no radar, IGP-10 em queda no Brasil, investigação que afeta o Supremo e impacto de um calote de R$ 3,6 bilhões

O dólar abriu a sessão em alta nesta sexta-feira, negociado a R$ 5,2240, e o mercado ficou atento a dados de inflação nos Estados Unidos e a desdobramentos políticos e corporativos no Brasil.

Investidores pesquisavam o índice de preços ao consumidor dos EUA, o CPI, e também avaliavam impactos locais, como a queda do IGP-10 e a divulgação de balanços que mexem com o humor do mercado.

As informações foram compiladas a partir da cobertura do g1, conforme informação divulgada pelo g1

Causas e sinais que pressionam o câmbio

O avanço do dólar, de 0,47% no começo do dia, reflete a expectativa por sinais mais claros sobre a trajetória da inflação nos EUA, que podem influenciar a política de juros do Federal Reserve.

Na véspera, a moeda americana havia fechado em alta de 0,25%, cotada a R$ 5,1998, e os investidores seguem avaliando se dados recentes conduzirão a cortes mais lentos nos juros externos, o que tende a fortalecer o dólar globalmente.

Além do cenário internacional, a cena política no Brasil também pressionou, com a mudança de relatoria no caso ligado ao Banco Master, aumentando a percepção de risco local.

Dados domésticos e resultados corporativos que influenciam o mercado

No Brasil, o IGP-10 de fevereiro registrou queda de 0,42%, depois de alta de 0,29% no mês anterior, levando o índice a acumular deflação de 2,25% em 12 meses, segundo a Fundação Getulio Vargas, e pesando sobre as expectativas de inflação.

As vendas no varejo recuaram 0,4% em dezembro na comparação com novembro, e subiram 2,3% em 12 meses, informou o IBGE, indicando ritmos variados de consumo interno.

Na temporada de balanços, o Banco do Brasil informou um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, fato que elevou a taxa de inadimplência para 5,17%, quando poderia ter ficado em 4,88% sem esse caso, segundo o próprio banco.

O Banco do Brasil afirmou que o problema já vinha sendo provisionado e que a dívida foi repassada a outro credor no início de 2026, e ainda registrou lucro de R$ 20,7 bilhões em 2025.

A mineradora Vale fechou o quarto trimestre de 2025 no vermelho, com prejuízo de US$ 3,8 bilhões, por ajustes contábeis ligados ao negócio de níquel no Canadá, embora as vendas de minério de ferro e cobre tenham sido fortes.

Mercados globais e principais índices

Em Wall Street, as bolsas caíram na véspera, com o Nasdaq recuando 2%, o S&P 500 perdendo cerca de 1,6% e o Dow Jones recuando 1,3%, enquanto investidores aguardavam o CPI norte-americano.

Na Ásia, índices fecharam em queda em um dia de pouco movimento por conta do Ano Novo Lunar na China, com Hang Seng caindo 1,72%, Xangai recuando 1,26% e o CSI300 perdendo 1,25%.

Outros mercados também recuaram, com o Nikkei perdendo 1,21%, o Kospi caindo 0,28%, o Straits Times recuando 1,65% e o S&P/ASX 200 caindo 1,39%, cenário que contribui para a aversão ao risco global.

Desdobramentos políticos e impacto sobre a confiança

No Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli solicitou o afastamento da relatoria do caso Banco Master, e a relatoria foi redistribuída por sorteio para o ministro André Mendonça.

A mudança ocorreu depois que a Polícia Federal encontrou menções a Toffoli em dados do celular do banqueiro investigado, o que gerou desconforto no tribunal, apesar de colegas afirmarem não haver prova de irregularidade e de Toffoli negar qualquer relação financeira com o investigado.

Esse tipo de incerteza política, combinada com os fatores econômicos domésticos e internacionais, ajuda a explicar a pressão sobre o câmbio e a volatilidade observada nos mercados nesta sessão.