Dólar em alta: Boletim Focus ajusta projeções, ameaça de tarifas de Trump à Europa pela Groenlândia e incertezas sobre Selic e petróleo impactam mercados
Mercado abre com atenção ao Boletim Focus e às novas tensões entre EUA e Europa, enquanto o dólar sobe e investidores avaliam menor liquidez por feriado americano
O dólar opera em alta nesta segunda-feira, com avanço de 0,16% por volta das 9h10, cotado a R$ 5,3809, e começa a semana em patamar mais firme diante de sinais mistos na agenda econômica e política.
Na sexta-feira, a moeda americana fechou com um avanço de 0,08%, cotada a R$ 5,3725, a bolsa, por sua vez, recuou 0,46%, aos 164.800 pontos, mostrando volatilidade entre ativos locais.
Entre os fatores que movem o mercado estão as novas projeções do Boletim Focus, o feriado de Martin Luther King Jr. Day nos Estados Unidos, e ruídos geopolíticos envolvendo a Europa, os EUA e o Irã, além de variações nos preços do petróleo.
conforme informação divulgada pelo g1
O que o Boletim Focus trouxe de novo
O Boletim Focus mostrou ajuste nas expectativas, com a estimativa da inflação recuando levemente, de 4,05% para 4,02%, enquanto a mediana da taxa Selic avançou de 9,88% para 10%. No campo da atividade, a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026 foi mantida em alta de 1,80%.
O relatório também manteve a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50, e reiterou expectativa de redução gradual da Selic, com projeção para o fim de 2026 em 12,25% ao ano e para 2027 em 10,50% ao ano, depois de a taxa básica de juros da economia, a Selic, ter encerrado 2025 em 15% ao ano.
Tensões comerciais entre EUA e Europa e o efeito sobre o câmbio
Nos últimos dias, a escalada de ruídos entre Washington e países europeus voltou a pressionar o humor dos mercados globais. O presidente dos EUA anunciou medidas que reacenderam temores de retaliações e de aumento de custos comerciais.
Em publicação na rede social, o presidente declarou, textualmente, “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.”
Em reação, autoridades europeias avaliam medidas de retaliação, incluindo a aplicação de tarifas de € 93 bilhões sobre produtos americanos ou restrições à atuação de empresas dos EUA no bloco, enquanto buscam alternativas para evitar ruptura na aliança militar ocidental, decisão que também influencia a percepção de risco e a cotação do dólar.
Bolsas, petróleo e liquidez global
O feriado de Martin Luther King Jr. Day nos EUA tende a reduzir a liquidez do mercado à vista de ações, com negociações retomadas no dia seguinte, e, mesmo assim, os futuros de Wall Street operavam pressionados após os anúncios de medidas comerciais.
As preocupações com o Irã e a sucessão no Federal Reserve seguem no radar, enquanto os preços do petróleo recuam, com o Brent caindo 0,73%, a US$ 63,66, e o WTI cedendo 0,47%, a US$ 58,92, por volta das 9h (horário de Brasília), informação que contribui para o movimento do câmbio.
Na Ásia, Europa e futuros dos EUA, a sessão mostrou variações setoriais, com semicondutores e o otimismo em torno da inteligência artificial ajudando bolsas em alguns mercados, enquanto medidas de contenção financeira na China frearam ganhos locais.
O que observar nos próximos dias
Investidores devem observar a leitura completa do Boletim Focus, a evolução das declarações entre EUA e União Europeia sobre tarifas e retaliações, e os desdobramentos sobre o Irã e a direção do Fed. Esses fatores tendem a influenciar o apetite por risco e, por consequência, a trajetória do dólar frente ao real.
No curto prazo, a combinação de menor liquidez por feriado e ruídos geopolíticos pode aumentar a volatilidade, enquanto indicatorios domésticos e a política monetária continuam a moldar as expectativas para a Selic e para o câmbio.