Dólar sobe e Ibovespa abre em queda com atenção voltada para cenários econômico e político
O dólar abriu em alta nesta sexta-feira (19), refletindo a cautela dos investidores diante de dados econômicos importantes vindos dos Estados Unidos e das discussões sobre o orçamento no Brasil. A moeda americana avançou 0,22% na abertura, atingindo R$ 5,5313, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, aguardava o início das negociações às 10h.
Na véspera, o dólar já havia registrado uma leve alta de 0,01%, fechando cotado a R$ 5,5225. O Ibovespa, por sua vez, encerrou o dia com ganho de 0,38%, alcançando 157.923 pontos. A movimentação atual do mercado demonstra a sensibilidade dos agentes financeiros a fatores domésticos e internacionais.
O cenário econômico brasileiro foi marcado pela divulgação do Relatório de Política Monetária do Banco Central (BC) referente ao quarto trimestre. O documento detalha a avaliação da autoridade monetária sobre a inflação, a atividade econômica e os riscos futuros. Conforme informação divulgada pelo g1, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, em entrevista coletiva, indicou que a decisão sobre a taxa Selic em janeiro ainda está em avaliação e que um corte não está totalmente descartado.
Relatório do BC revisa projeções e aponta para desaceleração econômica
O Banco Central revisou para cima sua estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025, elevando a projeção de 2% para 2,3%. Em 2024, a economia do país cresceu 3,4%, segundo dados do IBGE. Para 2026, a projeção de crescimento foi ajustada de 1,5% para 1,6%.
Apesar da revisão, o BC sinaliza que o ritmo de expansão será o mais fraco desde 2020, ano marcado pela pandemia de Covid-19. Essa desaceleração esperada é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a manutenção de uma política monetária restritiva com juros elevados, o baixo nível de ociosidade dos fatores de produção e a perspectiva de desaceleração da economia global.
O relatório também considera os efeitos de medidas recentes que podem estimular o consumo, como a isenção ou descontos no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para as faixas de menor renda. Contudo, o ambiente de juros elevados, atualmente em 15% ao ano, continua sendo um fator de contenção para a atividade econômica.
Dados dos EUA: Inflação e desemprego sob análise dos investidores
Nos Estados Unidos, a inflação ao consumidor em novembro desacelerou mais do que o esperado, com o índice de preços ao consumidor (CPI) avançando 2,7% nos 12 meses até novembro, abaixo da projeção de 3,1% dos economistas. Este indicador é crucial para as decisões de política de juros do Federal Reserve (Fed).
No entanto, a leitura mais recente do CPI apresenta limitações importantes. A paralisação do governo americano por 43 dias impediu a coleta e divulgação de dados em outubro, impactando a análise das tendências. Analistas sugerem focar em comparações anuais ou em períodos de dois meses para uma melhor interpretação.
Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA também caíram na semana passada, totalizando 224 mil solicitações. Esse recuo indica um mercado de trabalho relativamente estável, apesar de oscilações recentes influenciadas pelo feriado de Ação de Graças. O quadro geral aponta para empresas cautelosas, sem demissões em massa.
Incertezas políticas e o impacto no mercado brasileiro
No cenário político brasileiro, o mercado avalia a consolidação de Flávio Bolsonaro como um nome forte na direita e o possível enfraquecimento da candidatura de Tarcísio de Freitas. A percepção é que a manutenção do governo atual pode dificultar ajustes robustos nas contas públicas, o que impacta negativamente o Ibovespa e o câmbio.
A confiança na economia brasileira tem sido afetada por preocupações com gastos e dívidas governamentais, conforme destacado pelo g1. Essa incerteza fiscal contribui para a volatilidade no mercado e a pressão sobre o dólar.
Bolsas globais reagem a dados e tensões regionais
As bolsas em Wall Street operaram em alta, impulsionadas pelos dados de inflação nos EUA, que reforçaram as apostas em cortes de juros pelo Fed. O Dow Jones subiu 0,61%, o S&P 500 avançou 0,92% e a Nasdaq ganhou 1,29%.
Em contrapartida, os mercados asiáticos fecharam mistos. Tensões regionais e preocupações com gastos em inteligência artificial influenciaram o desempenho. Ações ligadas à defesa foram impulsionadas pela aprovação de um pacote de armas dos EUA para Taiwan, enquanto setores de tecnologia e imobiliário recuaram.