quinta-feira, junho 4, 2026

Dólar em alta, tarifas dos EUA de 10% e dados do setor externo brasileiro, veja como a medida afeta o câmbio, o Ibovespa e o déficit em janeiro de 2026

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Mercados reagem à tarifa adicional de 10% aplicada pela Alfândega dos EUA, aos discursos do Fed e aos números do Banco Central, com o dólar em alta e o setor externo mostrando melhora

O câmbio abriu em movimento de avanço nesta terça-feira, em meio à incerteza sobre a política comercial dos Estados Unidos e aos dados externos divulgados pelo Banco Central do Brasil.

Por volta das 9h45, o dólar operava com avanço de 0,30%, cotado a R$ 5,1842, enquanto o Ibovespa tinha abertura às 10h, com o mercado atento a discursos do Federal Reserve e à pesquisa de emprego do setor privado nos EUA.

Os números do setor externo brasileiro e a entrada em vigor das novas tarifas americanas são fatores que explicam a pressão sobre o câmbio nesta sessão, conforme informação divulgada pelo g1.

Tarifas dos EUA entram em vigor e aumentam a incerteza

Na terça, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, CBP, anunciou que passa a aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções. A taxa corresponde ao percentual inicialmente anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira, e não aos 15% mencionados depois por ele.

A decisão, tomada após determinação da Suprema Corte que derrubou tarifas anteriores justificadas por emergência, ampliou a incerteza sobre a política comercial americana, e reforçou a atenção dos investidores para o discurso do presidente durante o Estado da União.

Dados do Brasil, déficit e balança comercial

O Banco Central informou que as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões em janeiro de 2025.

No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB. A melhora foi impulsionada pelo aumento do superávit na balança comercial de bens e pela redução do déficit na conta de serviços.

A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, contra US$ 1,4 bilhão em janeiro de 2025. As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, e as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões, com exportações caindo 1,2% e importações recuando 10,0% ante o mesmo mês do ano anterior.

Reação dos mercados globais

Em Wall Street, os índices futuros apontavam alta antes da abertura, mas o ambiente seguiu marcado por incertezas, entre dúvidas sobre a nova política de tarifas, tensões internacionais e temores sobre os impactos da inteligência artificial.

No mercado de commodities, o Brent avançava cerca de 0,1%, a US$ 71,57 o barril, enquanto o ouro oscilava e mostrava queda, refletindo ajustes em posições dos investidores diante das notícias internacionais.

Impacto no Brasil e na bolsa

Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685, e a bolsa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos. Nos indicadores diários, o dólar em alta desta sessão aparece em contraste com o resultado do dia anterior.

As estatísticas de acumulados mostram, para o dólar, acumulado da semana em -0,14%, acumulado do mês em -1,51% e acumulado do ano em -5,83%. Para o Ibovespa, acumulado da semana em -0,88%, acumulado do mês em +4,13% e acumulado do ano em +17,21%.

Investidores seguem de olho na sequência de eventos, entre eles discursos de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia, a pesquisa semanal da ADP sobre empregos no setor privado nos EUA, e o acompanhamento parlamentar de casos financeiros no Brasil, como a audiência do presidente interino da CVM, João Accioly, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

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