Mercado acompanha divulgação do PCE de novembro, leitura final do PIB do terceiro trimestre e sinais de acomodação nas tensões EUA-Europa, enquanto o dólar oscila
O dólar abriu a sessão desta quinta-feira em leve alta, com o mercado doméstico atento a indicadores econômicos dos Estados Unidos e a sinais de alívio no cenário externo.
Investidores monitoram especialmente o PCE de novembro, indicador de inflação usado pelo Federal Reserve, e a leitura final do PIB do terceiro trimestre, além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego.
As movimentações externas também foram influenciadas por desdobramentos políticos recentes entre EUA e países europeus, o que alterou o apetite por risco globalmente.
Conforme informação divulgada pelo g1.
Indicadores americanos e a abertura do dia
O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (22) em leve alta, com avanço de 0,03% na abertura, cotado a R$ 5,3213. Na véspera, a moeda americana recuou 1,13%, a R$ 5,3196.
Nos Estados Unidos, o destaque é o PCE de novembro, que foi adiado devido ao shutdown que terminou em novembro, após 43 dias de paralisação do governo. Além disso, o mercado espera a leitura final do Produto Interno Bruto do terceiro trimestre, com expectativa de crescimento anualizado de 4,3%.
Os dados de inflação e de atividade vão orientar interpretações sobre a trajetória de juros do Federal Reserve, e podem repercutir rapidamente no fluxo para moedas emergentes, incluindo o real.
Impacto no mercado doméstico e no Ibovespa
O bom humor no exterior favoreceu a migração de recursos para ativos mais arriscados. Em sessão anterior, o Ibovespa se destacou e encerrou com alta de 3,33%, o maior ganho diário desde abril de 2023, chegando aos 171.817 pontos.
Durante a sessão, o principal índice da bolsa brasileira também atingiu máxima intradia de 171.969,01 pontos, refletindo o ambiente mais favorável no exterior.
Dólar, Acumulado da semana: -0,98%;Acumulado do mês: -3,08%;Acumulado do ano: -3,08%.
Ibovespa, Acumulado da semana: +4,26%;Acumulado do mês: +6,64%;Acumulado do ano: +6,64%.
Tensão EUA-Europa e recuo de medidas
O alívio nos mercados ocorreu depois que o presidente Donald Trump descartou o uso de força militar para anexar a Groenlândia e decidiu recuar das tarifas de 10% impostas a países europeus, medidas que reduziram a percepção de risco global.
Trump afirmou, em publicação, “Com base em uma reunião muito produtiva que tive com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo relacionado à Groenlândia e, na prática, a toda a região do Ártico”, e destacou que, caso a solução seja concretizada, “será muito positiva para os EUA e para todos os países da Otan”.
Por outro lado, autoridades europeias procuraram limitar as interpretações sobre soberania. O secretário-geral da Otan, segundo a porta-voz Allison Hart, “não propôs qualquer compromisso em relação à soberania durante sua reunião com o presidente em Davos”. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que “não houve negociação com a Otan ontem sobre soberania”.
Bolsas globais e fluxo para emergentes
Em Wall Street, os mercados ganharam fôlego após o recuo das ameaças, reduzindo o temor de um conflito comercial global. Por volta das 9h15 (horário de Brasília), os contratos futuros indicavam alta. O Dow Jones subia 0,41%, o S&P 500 avançava 0,60% e o Nasdaq tinha ganho de 0,87%.
Na Europa, o STOXX 600 subia 1,08%, com destaque para o DAX da Alemanha a 1,18%, o CAC 40 da França a 0,93%, o FTSE MIB da Itália a 0,96% e o FTSE 100 de Londres a 0,43%.
Na Ásia, os mercados fecharam com leves ganhos, entre eles Xangai, com o SSEC a 0,14%, o CSI300 a 0,01%, Hong Kong com o Hang Seng a 0,17%, Tóquio com o Nikkei a 1,7%, Seul com o KOSPI a 0,87%, Taiwan a 1,60% e Singapura com o Straits Times a 0,33%.
Em suma, o dólar opera com volatilidade reduzida, na esteira de dados americanos e do alívio nas tensões externas, enquanto investidores aguardam leituras econômicas que podem redesenhar expectativas para juros globais e fluxos para mercados emergentes.