Dólar em leve queda enquanto mercado aguarda indicação para o Fed, decisões de juros e ameaça de tarifas de Trump ao Canadá, Ibovespa oscila
Dólar registra recuo marginal perto de R$ 5,286, investidores monitoram Boletim Focus, indicação do novo presidente do Fed e ameaças tarifárias entre EUA e Canadá
O mercado financeiro abriu a semana em ritmo de cautela, com o dólar operando em leve queda e o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, em movimento de oscilação perto da estabilidade.
Perto das 10h30 desta segunda-feira, o dólar era cotado a R$ 5,2863, com recuo de 0,01%, enquanto o Ibovespa registrava queda de 0,02%, aos 178.822 pontos.
No fechamento da sexta-feira, o câmbio havia subido 0,05%, cotado a R$ 5,2867, e o Ibovespa avançou 1,86%, aos 178.858,54 pontos, marcando o quinto dia consecutivo de ganhos e renovando recorde histórico intradiário.
conforme informação divulgada pelo g1
Mercado doméstico e Boletim Focus
O cenário local é fortemente influenciado pelo Boletim Focus divulgado pelo Banco Central, que mostrou que economistas reduziram a projeção da inflação para 2026, de 4,02% para 4%. O levantamento, feito com mais de 100 instituições financeiras, também aponta expectativa de queda na taxa básica de juros, com a Selic projetada em 12,25% ao final de 2026.
Para o crescimento, a projeção do Produto Interno Bruto, PIB, em 2026 se manteve em 1,8%, e a cotação do dólar prevista para encerrar 2026 foi estimada em R$ 5,51, segundo o mesmo levantamento.
Esses números explicam parte da cautela dos investidores, que equilibram expectativas de juros mais baixos no Brasil e a reação dos fluxos internacionais às notícias sobre política monetária nos Estados Unidos.
Tensões geopolíticas e efeito sobre o câmbio
Investidores também acompanham as tensões geopolíticas entre Estados Unidos, Canadá e China, que podem afetar risco global e apetite por ativos. No fim de semana, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou aplicar tarifas de 100% sobre produtos importados do Canadá caso o país feche um acordo comercial com a China.
Em relação ao acordo anunciado entre China e Canadá, Trump escreveu que, “[Se Carney] pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias e produtos para os Estados Unidos, está muito enganado”, em publicação no Truth Social.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os acordos com o Canadá não têm como alvo nenhum terceiro país, e que “a China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”, disse o porta-voz Guo Jiakun.
Esse tipo de ameaça tarifária e a incerteza sobre a autonomia do Federal Reserve, diante de rumores de que Trump pode indicar o sucessor de Jerome Powell ainda nesta semana, deixam os investidores em alerta e ajudam a explicar a volatilidade em ativos cambiais e de risco.
Bolsas globais e fluxo de risco
Nos mercados internacionais, o sentimento também foi de indefinição. Em Wall Street, os índices abriram sem direção única, com o Dow Jones recuando 0,58%, o S&P 500 subindo 0,03% e a Nasdaq avançando 0,28% em pregão marcado pela expectativa sobre a indicação ao Fed e resultados corporativos.
A alta do preço do ouro impulsionou ações de mineradoras nos Estados Unidos, com destaque para Gold Fields, que subiu 5%, enquanto Harmony Gold e Sibanye Stillwater registraram ganhos acima de 3%.
Na Europa, o índice STOXX 600 recuava 0,2% e bolsas como o CAC 40 da França caíam quase 0,2%, enquanto o DAX da Alemanha avançava menos de 0,1% e o FTSE 100 do Reino Unido caía 0,1%.
Na Ásia, os mercados fecharam praticamente estáveis, com o SSEC em Xangai caindo 0,09% e o CSI300 subindo 0,10%, enquanto o Hang Seng teve alta de 0,06%. Outros índices regionais mostraram movimentos mistos, como queda de 1,8% do Nikkei em Tóquio e recuo de 0,81% do KOSPI em Seul.
No front doméstico, o movimento conhecido como “sell America” ajudou o Ibovespa a fechar a última sexta feira em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos, renovando recorde histórico e ultrapassando os 178 mil pela primeira vez, com máxima intradiária de 180.532,28 pontos.
Em termos de desempenho acumulado, o dólar registrava na semana variação de -1,60%, no mês de -3,68% e no ano também -3,68%. O Ibovespa apresentava acumulado da semana de +8,53%, no mês de +11,01% e no ano de +11,01%.
As próximas horas e dias devem trazer mais volatilidade, à medida que saiam definições sobre a indicação ao Federal Reserve e que parlamentares americanos discutam o orçamento, com risco de nova paralisação do governo, fatores que seguirão determinando movimentos no câmbio e nas ações.