Dólar em queda com foco nos EUA e nas contas públicas do Brasil, Trump, tarifas e dados do Tesouro ampliam incerteza e influenciam Ibovespa e fluxo de capital
Recuo do dólar reflete discurso de Trump, novas tarifas nos EUA e o superávit das contas públicas no Brasil, com impacto no Ibovespa, no Fed e no fluxo cambial
O **dólar** opera em queda nesta quarta-feira, com investidores avaliando sinais da economia dos Estados Unidos e as contas fiscais brasileiras.
Por volta das 9h15, a moeda americana recuava, enquanto o Ibovespa avançava após dados e fluxo de capital estrangeiro.
Os próximos balanços de empresas e falas do Federal Reserve seguem no radar dos mercados, afetando expectativas sobre juros e risco global, conforme informação divulgada pelo g1.
Leitura do mercado ao abrir
Por volta das 9h15, a moeda americana recuava 0,48%, cotada a R$ 5,1305, e o Ibovespa abriu para buscar níveis mais altos, depois de ter registrado alta no dia anterior.
Na véspera, a moeda americana caiu 0,26%, cotada a R$ 5,1553, enquanto o principal índice da bolsa brasileira encerrou com um avanço de 1,40%, aos 191.490,40 pontos, uma nova máxima histórica, reação atribuída em parte à entrada de capital estrangeiro no país.
Contas públicas do Brasil e impacto no câmbio
O Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado que ficou acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões.
A arrecadação federal atingiu o maior nível para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, impulsionada pelo crescimento da economia e pelo aumento de impostos.
Apesar do superávit oficial, o arcabouço fiscal prevê que, na prática, a previsão é que o governo registre um déficit de R$ 23,3 bilhões em 2026, o que mantém dúvidas sobre sustentabilidade fiscal ao longo do mandato.
Fatores externos: EUA, tarifas e Fed
Nos Estados Unidos, o discurso do presidente Donald Trump no Congresso não citou a China, mas ameaçou o Irã e tratou de tarifas, inflação e do mercado de ações, aumentando a atenção sobre a política comercial americana.
Os EUA passaram a aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos que não estejam cobertos por isenções, medida que aumentou a incerteza sobre o comércio global.
Investidores também acompanham falas do Federal Reserve e resultados corporativos, como o balanço da Nvidia, e mensagens do banco central americano influenciam as apostas sobre o caminho dos juros.
Sobre o mercado de trabalho e a tecnologia, a diretora do Fed Lisa Cook afirmou que “Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações“, em comentário preparado para uma conferência, ao destacar efeitos da inteligência artificial.
O presidente da distrital do Fed em Chicago, Austan Goolsbee, disse que “Estou otimista de que, até o final de 206, seria apropriado que [a taxa básica de juros] sofresse mais alguns cortes“, e alertou para o risco de antecipar demais cortes sem evidências claras de queda da inflação.
Panorama global e dias seguintes
Em Wall Street, os três principais índices fecharam em alta, com a Nasdaq subindo 1,05%, o S&P 500 avançando 0,78% e o Dow Jones ganhando 0,76%, enquanto a nova política de tarifas de Trump permaneceu no radar.
Na Ásia e na Europa, movimentos mistos mostraram que investidores seguem sensíveis a sinais de comércio internacional e ao fluxo de capital, com destaque para ganhos em mercados chineses e asiáticos.
Para acompanhar a evolução do **dólar**, os próximos indicadores relevantes são o fluxo cambial semanal no Brasil, os discursos do Fed ao longo do dia e o balanço da Nvidia após o fechamento nos EUA, fatores que podem acelerar ou frear a queda da moeda americana.
Indicadores rápidos, dólar, acumulado da semana: -0,40%, acumulado do mês: -1,76%, acumulado do ano: -6,07%, Ibovespa, acumulado da semana: +0,50%, acumulado do mês: +5,58%, acumulado do ano: +18,85%.