quinta-feira, junho 4, 2026

Dólar em queda com foco nos EUA, tarifas de Trump e contas públicas do Brasil, Tesouro registra superávit de R$ 86,9 bilhões e Ibovespa atinge nova máxima

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Movimento do câmbio reúne impacto das tarifas adicionais de 10% dos EUA, discursos do Fed, balanço da Nvidia e o superávit primário de R$ 86,9 bilhões do Tesouro

O dólar opera em queda na manhã desta quarta-feira, enquanto investidores avaliam sinais da economia americana e os primeiros números fiscais do ano no Brasil. A combinação de fatores externos e domésticos tem ditado o fluxo de capital e o comportamento do câmbio.

Pela manhã, por volta das 9h15, a moeda americana recuava 0,48%, cotada a R$ 5,1305, e o mercado acompanha balanços corporativos e falas de dirigentes do Federal Reserve, que podem influenciar a trajetória dos juros nos EUA.

No Brasil, o Tesouro Nacional informou um resultado fiscal relevante, e o mercado já repercutiu a agenda política e o fluxo estrangeiro, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o dólar caiu hoje

O recuo do câmbio reflete entrada de capital e maior apetite por risco, após movimento semelhante no dia anterior, quando o mercado reagiu ao cenário político e financeiro local. Na véspera, o dólar comercial caiu 0,26%, a R$ 5,1553, enquanto o Ibovespa subiu 1,40%, aos 191.490,40 pontos, uma nova máxima histórica.

Além disso, nesta sessão o boletim de fechamento dos mercados americanos mostrou ganhos em Wall Street, com o Dow Jones avançando 0,76%, o S&P 500 subindo 0,78% e a Nasdaq ganhando 1,05%, ambiente que tende a favorecer ativos de risco e moedas locais emergentes.

Contas públicas do Brasil e impacto no câmbio

O Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões. Em comparação com janeiro do ano passado, houve leve piora, já que em 2024 o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.

O resultado foi favorecido pela arrecadação federal, que atingiu o maior nível para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, e ajuda a acomodar a percepção sobre o risco fiscal do país, ainda que a meta de 2026 seja apertada.

Agenda americana, tarifas e sinais do Fed

Nos EUA, a entrada em vigor de uma tarifa adicional de 10% sobre a maioria das importações elevou a incerteza sobre a política comercial americana, tema que entrou no radar dos mercados junto com o discurso anual do presidente Donald Trump e balanços de empresas de tecnologia.

Investidores também esperam discursos de dirigentes do Federal Reserve, e citações de membros do banco central americano geram atenção. A diretora do Fed, Lisa Cook, afirmou que "Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações", destacando o impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho.

O presidente da distrital do Fed em Chicago, Austan Goolsbee, disse que "Estou otimista de que, até o final de 206, seria apropriado que [a taxa básica de juros] sofresse mais alguns cortes", ao mesmo tempo em que manifestou cautela para não antecipar cortes sem evidências claras de queda da inflação.

O que observar hoje nos mercados

Ao longo do dia, o mercado segue de olho no balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento em Nova York, e em mais discursos do Fed. No Brasil, será divulgado o fluxo cambial semanal, que pode trazer sinais sobre entrada ou saída de recursos estrangeiros.

Os indicadores acumulados mostram que o dólar está no vermelho no ano e no mês, com acumulados de semana -0,40%, mês -1,76%, ano -6,07%, enquanto o Ibovespa registra semana +0,50%, mês +5,58%, ano +18,85%, contexto que resume a preferência por risco e a atenção à agenda externa e às contas públicas locais.

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