Dólar em Queda: Inflação nos EUA e PIB Brasileiro Ditando o Ritmo do Mercado Financeiro
Dólar abre em queda com mercado à espera dos dados de inflação nos EUA
O dólar iniciou a sessão desta sexta-feira (5) em queda, refletindo um movimento de cautela por parte dos investidores que direcionam seu foco para indicadores econômicos internacionais. A moeda americana recuou 0,19% por volta das 9h02, sendo cotada a R$ 5,3001.
Em um dia com agenda doméstica mais esvaziada, a atenção do mercado se volta principalmente para os dados de inflação nos Estados Unidos. Paralelamente, o cenário político e econômico local continua sendo monitorado de perto, especialmente após a divulgação de uma série de informações relevantes nos últimos dias.
Conforme informação divulgada pelo g1, o índice de preços de gastos com consumo (PCE) de setembro será divulgado nos Estados Unidos. Este indicador é considerado pelo Federal Reserve como o termômetro mais importante da inflação, e seus resultados podem influenciar as apostas sobre cortes na taxa de juros já na próxima semana, mesmo com possíveis atrasos causados pelo shutdown.
PIB brasileiro em ritmo modesto e expectativas para a Selic
No Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre apresentou um avanço modesto de 0,1%, segundo dados divulgados ontem. Esse resultado, que veio um pouco abaixo das expectativas de analistas, reflete uma perda de ritmo no setor de serviços e no consumo das famílias, reforçando a avaliação de que o Banco Central pode iniciar cortes na taxa Selic já em janeiro.
O PIB do terceiro trimestre de 2025, com alta de 0,1%, mostra uma economia perdendo força, em comparação com o crescimento de 0,3% no trimestre anterior. A Indústria cresceu 0,8% e a Agropecuária avançou 0,4%, mas o setor de Serviços, o principal da economia, registrou um crescimento de apenas 0,1%, assim como o Consumo das famílias.
O alto patamar da taxa básica de juros, a Selic em 15% ao ano, encarece o crédito e impacta negativamente as compras e o dia a dia das famílias. Por outro lado, os gastos do governo voltaram a subir 1,3%, auxiliando na sustentação da demanda interna, e os investimentos cresceram 0,9%.
No comércio exterior, as exportações tiveram um salto de 3,3%, impulsionadas por produtos como soja, carne e minério, enquanto as importações registraram uma leve alta de 0,3%. Apesar do cenário, exportadores conseguiram encontrar novos mercados para manter suas vendas.
Cenário político e aprovação da LDO de 2026
No campo político, o Congresso Nacional aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026. O texto estabelece que mais da metade das emendas parlamentares deverão ser pagas pelo governo até o final do primeiro semestre. A aprovação ocorre em meio a tensões entre os Poderes, especialmente após uma decisão do ministro Gilmar Mendes sobre pedidos de impeachment de ministros do STF.
A decisão, que restringe a possibilidade de pedidos de impeachment apenas à Procuradoria-Geral da República, gerou reações no meio político e intensificou o debate sobre a relação entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. A Advocacia-Geral da União (AGU) já solicitou que a decisão seja reconsiderada.
Bolsas globais em compasso de espera
Nos Estados Unidos, as bolsas fecharam mistas, com investidores analisando dados do mercado de trabalho para avaliar as chances de um corte na taxa de juros pelo Federal Reserve. Rumores sobre uma possível troca na presidência do banco central também adicionam incerteza ao cenário.
As bolsas europeias, por outro lado, encerraram o pregão em alta, impulsionadas pelo setor automobilístico e pela expectativa de um acordo de paz entre Rússia e Ucrânia. Na Ásia, o desempenho foi misto, com preocupações sobre a desaceleração econômica na China contrastando com altas em Tóquio e Hong Kong.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão anterior em alta, voltando a marcar recordes acima dos 164 mil pontos. A perspectiva de flexibilização monetária nos Estados Unidos, aliada a outros fatores, sugere que a Selic pode começar a recuar no início de 2026.
O dólar acumula uma queda de 0,46% na semana e 0,46% no mês, e uma desvalorização de 14,07% no ano. Já o Ibovespa apresenta uma alta de 3,39% na semana e no mês, e um ganho expressivo de 36,73% no ano, demonstrando a força do mercado de ações brasileiro em contraste com a valorização da moeda americana.