Mercados precificam incertezas sobre autonomia do Fed, ameaça de tarifas entre EUA e Canadá, e números do Boletim Focus que influenciam o dólar e a Selic
O dólar começou a sessão desta segunda-feira em queda de 0,22%, sendo cotado a R$ 5,2749 por volta das 9h, após ter subido 0,05% na sexta-feira, cotado a R$ 5,2867.
Investidores mantêm postura de cautela enquanto aguardam sinais do governo americano sobre a escolha do próximo presidente do Federal Reserve, além de acompanhar tensões comerciais entre EUA e Canadá que podem elevar a aversão ao risco.
No Brasil, o Banco Central divulgou o Boletim Focus, em que economistas reduziram a projeção da inflação para 2026 de 4,02% para 4%, com expectativa de Selic em 12,25% ao final do ano, afetando as expectativas para o dólar, conforme informação divulgada pelo g1.
Boletim Focus e impacto na curva de juros
Os economistas do mercado financeiro reduziram a projeção da inflação para 2026, de 4,02% para 4%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central. A mesma pesquisa projeta Selic em 12,25% ao final de 2026, crescimento do PIB de 1,8% e cotação do dólar encerrando o ano em R$ 5,51.
Esses números ajudam a explicar parte do movimento do dólar no mercado doméstico, porque a expectativa de queda gradual da taxa básica de juros reduz o prêmio por ativos em reais, enquanto a projeção de crescimento menor mantém atenção sobre a dinâmica econômica.
Tensões geopolíticas elevam aversão ao risco
Do lado externo, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou no sábado (24) aplicar tarifas de 100% sobre produtos importados do Canadá caso o país feche um acordo comercial com a China. A notícia aumentou a volatilidade nas mesas de operações e reforçou a cautela entre investidores.
Sobre o acordo entre China e Canadá, o Ministério das Relações Exteriores da China declarou, “A China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”, disse o porta-voz do ministério, Guo Jiakun. Esse tipo de declaração tende a moderar impactos imediatos, mas o risco político segue como fator relevante para a cotação do dólar.
Bolsas globais e sinais do pré-mercado
Na abertura da semana, os contratos futuros em Wall Street apontavam para leves perdas, com o Dow Jones caindo 0,08%, o S&P 500 perdendo 0,20% e a Nasdaq recuando 0,30%. Na Europa, o índice STOXX 600 recuava 0,2%, com movimentos mistos entre principais praças.
Na Ásia, as bolsas fecharam praticamente estáveis, com o SSEC caindo 0,09%, enquanto o CSI300 subiu 0,10%, e o Hang Seng avançou 0,06%. Outros indicadores mostraram Nikkei recuando 1,8%, KOSPI caindo 0,81%, TAIEX subindo 0,32% e Straits Times tendo queda de 0,62%. Essas leituras, com informações da agência de notícias Reuters, ajudam a compor o cenário externo que influencia o dólar.
Desempenho do mercado doméstico e perspectivas para a semana
Em meio ao movimento conhecido como “sell America”, o Ibovespa fechou a sexta‑feira em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos, renovando o recorde histórico e superando os 178 mil pela primeira vez. Na máxima da sessão, o índice atingiu 180.532,28 pontos, ultrapassando pela primeira vez os 180 mil e marcando a nova máxima histórica intradiária.
Os acumulados divulgados mostram pressões e recuperação distintas no curto prazo, com o dólar registrando: Acumulado da semana: -1,60%;Acumulado do mês: -3,68%;Acumulado do ano: -3,68%. O Ibovespa apresenta: Acumulado da semana: +8,53%;Acumulado do mês: +11,01%;Acumulado do ano: +11,01%.
Para a sequência da semana, a atenção permanece sobre o anúncio sobre o Fed, possíveis impasses orçamentários nos EUA e indicadores macro no Brasil, que em conjunto seguirão ditando o ritmo do dólar e das ações locais.