Dólar inicia a semana em queda com cautela sobre o Fed, boletim Focus e tensões geopolíticas, enquanto Ibovespa renova máximas e mercado avalia riscos
Dólar recua para cerca de R$ 5,27 no início do pregão, investidores monitoram a escolha do novo presidente do Fed, o Boletim Focus e ameaças tarifárias que elevam a aversão ao risco
O mercado financeiro abriu a semana com sinais de cautela, e o dólar operava em patamar mais baixo diante de incertezas sobre política monetária e eventos geopolíticos.
Na sexta-feira, o dólar subiu 0,05%, cotado a R$ 5,2867, e, por volta das 9h desta segunda, o dólar começou a sessão desta segunda-feira (26) em queda de 0,22%, sendo cotado a R$ 5,2749 por volta das 9h.
Já o principal índice da bolsa de valores brasileira avançou 1,86% nesta sexta-feira, aos 178.859 pontos, marcando o 5º dia consecutivo de ganhos, em meio a um movimento conhecido como “sell America” e ao otimismo com resultados locais, conforme informação divulgada pelo g1.
Boletim Focus e expectativas domésticas
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que economistas reduziram a projeção da inflação para 2026 de 4,02% para 4%.
O levantamento também traz estimativas de queda na taxa Selic ao longo de 2026, com expectativa de encerramento do ano em 12,25%, crescimento do PIB em 1,8% e, segundo o mercado, o dólar deve encerrar 2026 em R$ 5,51.
Esses números reforçam a visão de relaxamento gradual da política monetária, o que tende a pressionar para baixo o rendimento de ativos em câmbio, enquanto investidores reavaliam risco e retorno.
Tensões geopolíticas e impacto no câmbio
O cenário externo também pesa sobre o dólar, com episódios geopolíticos que aumentam a aversão ao risco, como a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de aplicar tarifas de 100% ao Canadá caso Ottawa feche um acordo comercial com a China.
O acordo anunciado entre Canadá e China prevê redução de tarifas sobre a canola canadense e a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses com tarifa de 6,1%, segundo autoridades, e a China afirmou que acordos com o Canadá não têm como alvo terceiros.
Essas tensões elevam a volatilidade, pois os investidores temem represálias comerciais e impactos sobre cadeias de suprimentos e fluxos de capitais.
Mercados globais e influência externa
Em Wall Street, os índices fecharam sem direção única na sexta-feira, com o Dow Jones Industrial Average caindo 0,58%, enquanto o S&P 500 avançou 0,02% e o Nasdaq Composite subiu 0,28%.
Na Europa, o índice STOXX 600 caiu 0,1%, acumulando queda de 1,1% na semana, e os mercados da região reagiram a temas debatidos no Fórum Econômico Mundial em Davos.
Na Ásia, resultados foram mistos, com o SSEC de Xangai subindo 0,33%, o CSI300 caindo 0,45% e o Hang Seng avançando 0,45%, enquanto autoridades chinesas intensificaram ações para conter práticas especulativas.
O que acompanhar durante a semana
Investidores vão acompanhar de perto a definição do nome para a presidência do Fed, sinais sobre autonomia do banco central, o calendário de decisões econômicas nos EUA e no Brasil e possíveis desdobramentos das tensões comerciais.
No âmbito doméstico, serão lidos atentamente os próximos boletins e indicadores que podem confirmar a trajetória de queda da inflação e da Selic, e no exterior, qualquer escalada nas tarifas ou risco político pode reverberar no câmbio e na bolsa.
Para quem acompanha o mercado, a combinação entre dados econômicos, escolhas de política monetária e eventos geopolíticos deve manter o dólar e o Ibovespa em movimento, com volatilidade, nos próximos dias.