Dólar reage a dados do Fed e à 2ª fase da PF sobre o Banco Master, com impacto em câmbio, bolsas e comércio exterior
Mercado segue atento a PPI, Livro Bege e vendas no varejo nos EUA, enquanto operação da Polícia Federal e anúncio de tarifas do presidente Trump pressionam o dólar
O dia começou com o dólar no centro do noticiário, entre dados econômicos nos Estados Unidos e nova fase de investigação da Polícia Federal no Brasil.
Nos EUA, indicadores como vendas no varejo e o índice de preços ao produtor, além do Livro Bege do Fed, orientam expectativas sobre juros e fluxo de capitais.
No Brasil, buscas relacionadas à operação contra o Banco Master e declarações de líderes globais sobre a independência dos bancos centrais aumentam a volatilidade, conforme informação divulgada pelo g1.
Operação da Polícia Federal atinge controlador e figuras do mercado
Em solo brasileiro, a Polícia Federal deflagrou hoje a segunda fase de uma operação que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Há buscas em endereços ligados ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e a familiares dele.
Além de Vorcaro e parentes, a operação também tem como alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos, segundo informações divulgadas pela PF.
Dados dos EUA, expectativas do Fed e citações oficiais
No exterior, a atenção está voltada para indicadores que podem influenciar a política monetária do Federal Reserve. Economistas consultados pela Reuters projetam alta de 2,70% para o PPI em 12 meses, informação que pressiona expectativas sobre a inflação ao produtor.
Também foram divulgados os números de preços ao consumidor, com a nota textual do levantamento: “o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) avançou 0,3% no mês passado. Em 12 meses até dezembro, a alta foi de 2,7%, repetindo a variação registrada em novembro.”
Mais tarde, o Fed publica o Livro Bege, com avaliações dos 12 distritos sobre a atividade econômica, e o mercado monitora a possibilidade de decisão da Suprema Corte americana sobre tarifas globais impostas por Donald Trump.
Pressões políticas sobre o Fed e apoio de bancos centrais
As tensões entre a Casa Branca e o Federal Reserve também interferem no humor dos mercados. Recentemente, dirigentes de grandes bancos centrais divulgaram uma nota conjunta em apoio ao presidente do Fed, destacando que a independência das instituições é crucial.
Na declaração conjunta, os dirigentes afirmaram, “Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell”, e ressaltaram que a independência é fundamental para a estabilidade econômica, financeira e de preços.
Mercado doméstico, índices e riscos externos
No quadro doméstico, os indicadores de mercado mostram movimentos modestos, com o câmbio e a bolsa reagindo às notícias locais e externas. Confira os números divulgados: Acumulado da semana: +0,19%;Acumulado do mês: -2,07%;Acumulado do ano: -2,07%.
Em relação ao mercado acionário, os dados reportados foram: Acumulado da semana: -0,84%;Acumulado do mês: +0,54%;Acumulado do ano: +0,54%.
Ao mesmo tempo, a decisão do presidente dos EUA sobre tarifas ao comércio com o Irã trouxe nova incerteza. Na publicação oficial, Trump afirmou, “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações realizadas com os Estados Unidos. Esta ordem é final e conclusiva. Agradeço a atenção a este assunto.”
O anúncio pode afetar países com relações comerciais com o Irã, entre eles o Brasil, que em 2025 importou US$ 84,5 milhões do país e exportou US$ 2,9 bilhões, segundo dados citados pela reportagem.
Com tantos vetores de risco, o dólar segue reagindo a cada nova notícia, enquanto investidores avaliam a trajetória dos juros nos EUA, a solidez das instituições financeiras e o impacto de medidas geopolíticas sobre o comércio global.