Dólar reage a dados do Fed e à nova fase da operação da PF contra o Banco Master, entenda os efeitos na cotação, no Ibovespa e no comércio com o Irã
Cenário externo com PPI e Livro Bege do Fed, e operação da Polícia Federal envolvendo o Banco Master, pressionam o dólar e movem o mercado brasileiro hoje
O dólar abriu a sessão focado tanto em sinais da política monetária dos EUA, quanto em desdobramentos locais, com impacto no humor dos investidores.
No Brasil, uma nova fase da operação da Polícia Federal contra um suposto esquema ligado ao Banco Master voltou a entrar no noticiário, gerando atenção sobre riscos financeiros domésticos.
No exterior, os mercados acompanham hoje as vendas no varejo e o índice de preços ao produtor, além do Livro Bege do Federal Reserve, conforme informação divulgada pelo g1.
Como os dados dos EUA influenciam a cotação do dólar
Os investidores observam indicadores que podem influenciar as decisões do Fed, entre eles o PPI, para o qual economistas consultados pela Reuters projetam alta de 2,70% em 12 meses.
Na véspera, o dólar avançou 0,06%, cotado a R$ 5,3753, enquanto o Ibovespa teve queda de 0,72%, aos 161.973 pontos, números que mostram a sensibilidade do câmbio a sinais de inflação e juros.
Além do PPI, o mercado monitora o Livro Bege do Fed, com relatos dos 12 distritos sobre a atividade econômica, e a tensão entre a Casa Branca e o Fed, que pode afetar expectativas sobre a independência da autoridade monetária.
Operação da Polícia Federal e efeitos no mercado doméstico
Em Brasília e em outras cidades, a segunda fase de uma operação que investiga suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master levou a buscas em endereços ligados ao controlador, Daniel Vorcaro, e a familiares.
Também são alvos empresários como Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos, segundo a Polícia Federal.
A ação reacende preocupações sobre governança em instituições financeiras e pode aumentar a volatilidade do dólar, à medida que investidores reavaliam risco doméstico e exposições dos bancos.
Outros fatos que mexem com o mercado, incluindo tarifas de Trump sobre o Irã
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que vai impor uma tarifa de 25% a países que fizerem negócios com o Irã, em uma medida que, segundo ele, tem efeito imediato.
Em publicação, Trump afirmou, em português, que, “Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações realizadas com os Estados Unidos. Esta ordem é final e conclusiva. Agradeço a atenção a este assunto”, informação que pode repercutir nas relações comerciais do Brasil com o Irã.
O Brasil importou do Irã, em 2025, o equivalente a US$ 84,5 milhões, e exportou US$ 2,9 bilhões, segundo dados citados pelo g1, números que colocam privados riscos setoriais caso a tarifa seja aplicada de forma ampla.
O que acompanhar ao longo do dia
No calendário americano, além do PPI, saem dados de vendas no varejo, ambos acompanhados de perto pelo Fed. Também há atenção a possíveis decisões da Suprema Corte sobre tarifas globais impostas por Trump.
As bolsas globais mostram movimento misto, com Wall Street operando em baixa após alertas sobre limites em tarifas de cartão de crédito, e índices como o Dow com queda de 0,71%, a 49.238,10 pontos, o S&P 500 caindo 0,23%, a 6.960,81, e o Nasdaq recuando 0,16%, para 23.696,83 pontos, valores citados pelo g1.
Localmente, o investidor deve acompanhar desdobramentos da operação da PF, eventuais bloqueios de bens e comunicados oficiais das instituições envolvidas, além dos dados econômicos americanos que podem redefinir expectativas sobre juros e, consequentemente, sobre a cotação do dólar.