Com o dólar no foco, mercado acompanha liquidação extrajudicial da Reag, mandados contra João Carlos Mansur, e indicadores dos EUA, como vendas no varejo e índice de preços ao produtor
O dia começa com o dólar em atenção a uma combinação de fatores internos e externos que podem movimentar a cotação e o apetite por risco no Brasil.
No cenário doméstico, uma ação ligada ao sistema financeiro puxou olhares para possíveis impactos sobre liquidez e confiança do mercado.
No exterior, investidores observam indicadores americanos e sinais sobre inflação, que podem influenciar expectativas para a política monetária nos Estados Unidos,
conforme informação divulgada pelo g1.
Cenário doméstico e operação da Polícia Federal
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, atualmente denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, com sede em São Paulo, medida que acendeu alertas sobre riscos em instituições do setor.
A ação está relacionada à segunda fase da operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira, e o fundador e ex-executivo da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Além disso, empresas do mercado seguem na mira de investidores, que tentam dimensionar efeitos sobre crédito, ofertas de ativos e confiança do sistema financeiro.
Dados dos EUA e impacto sobre o câmbio
Nos Estados Unidos, o pedido semanal de auxílio-desemprego volta ao radar, com expectativa de alta nas solicitações, para 215 mil, após 208 mil registros na semana anterior, número que pode sinalizar desaceleração ou ajustes no mercado de trabalho.
As vendas no varejo americano subiram 0,6% em novembro, após queda de 0,1% em outubro, superando a projeção de alta de 0,4%, segundo dados do Departamento de Comércio dos EUA citados pela fonte.
O índice de preços ao produtor avançou 0,2% em novembro, após alta de 0,1% em outubro, e acumulou alta de 3,0% até novembro, acima dos 2,8% registrados em outubro, dados do Departamento do Trabalho dos EUA que são acompanhados como possível pressão futura sobre a inflação.
O Livro Bege do Fed indicou uma leve melhora na atividade econômica, e, segundo o relatório, “As perspectivas para a atividade futura foram ligeiramente otimistas, com a maioria esperando um crescimento leve a modesto nos próximos meses”, frase que tende a reforçar a expectativa do mercado de que o Fed mantenha as taxas inalteradas na próxima reunião.
Com essas informações, agentes internacionais e locais reavaliam posições, o que contribui para volatilidade do dólar frente ao real.
Reação dos mercados e a leitura para o dia
Na véspera, o dólar avançou 0,49%, cotado a R$ 5,4016, e a bolsa, por sua vez, disparou 1,96%, aos 165.146 pontos, uma nova máxima histórica, mostrando que fluxos para ações podem conviver com apreciação cambial em curto prazo.
Os indicadores de acumulação reportados foram, conforme a fonte:
Dólar
Acumulado da semana: +0,68%;Acumulado do mês: -1,59%;Acumulado do ano: -1,59%.
Ibovespa
Acumulado da semana: +1,09%;Acumulado do mês: +2,50%;Acumulado do ano: +2,50%.
No exterior, Wall Street fechou em queda na véspera, com o Nasdaq recuando 0,96%, aos 23.481,19 pontos, o S&P 500 perdendo 0,53%, aos 6.927,03 pontos, e o Dow Jones recuando 0,07%, para 49.158,62 pontos.
Mercados europeus fecharam mistos, com o STOXX 600 avançando 0,12%, o FTSE em Londres subindo 0,33%, enquanto o DAX de Frankfurt recuou 0,50% e o CAC 40 de Paris caiu 0,12%.
No horizonte também aparecem movimentos corporativos que podem influenciar fluxo, como o pedido de oferta pública inicial de ações do Agibank na Bolsa de Nova York, que prevê distribuição primária e secundária, segundo documento enviado à SEC.
O que monitorar ao longo do dia
Investidores devem acompanhar atualizações sobre a investigação relacionada à Reag, novos desdobramentos em operações da Polícia Federal e divulgações econômicas americanas.
As leituras de vendas no varejo, pedidos de auxílio-desemprego e dados de preços podem ajustar percepções sobre crescimento e inflação nos EUA, e, consequentemente, sobre o movimento do dólar e as estratégias de investidores no Brasil.
No curto prazo, o mercado tende a calibrar posições entre risco e segurança, com o câmbio reagindo tanto a fatores locais, como a liquidação extrajudicial, quanto a sinais externos sobre atividade e preços.