Queda do dólar e alta do Ibovespa acompanham discurso de Trump, resultados da Nvidia, sinais do Fed e superávit do Governo Central em janeiro, com impactos no câmbio e na bolsa
O dólar abriu em queda e o principal índice da bolsa brasileira confirmou tendência de alta, em um dia marcado por eventos nos Estados Unidos e dados das contas públicas no Brasil.
Investidores reagiram ao discurso do presidente americano, à expectativa pelos balanços de tecnologia e a números fiscais, que influenciam o fluxo de capitais e a percepção de risco local.
Nos mercados, houve também foco em decisões do Federal Reserve e na divulgação do resultado fiscal do Governo Central para janeiro, que trouxe dados relevantes para as expectativas cambiais.
conforme informação divulgada pelo g1
Movimento do câmbio e da bolsa
Pela manhã, o dólar operava em queda, com recuo de 0,47%, cotado a R$ 5,1311 por volta das 10h20, enquanto o Ibovespa avançava 0,39%, aos 192.235 pontos.
Na véspera, a moeda americana caiu 0,26%, cotada a R$ 5,1553, e o principal índice da bolsa brasileira encerrou com um avanço de 1,40%, aos 191.490,40 pontos, uma nova máxima histórica, em reação à entrada de capital estrangeiro no país.
Os acumulados mostram melhora para a bolsa e queda no câmbio desde o início do ano, com o Ibovespa registrando no acumulado do ano alta de 18,85%, enquanto o dólar acumula -6,07% no mesmo período.
Contexto internacional, discurso de Trump e expectativas
O discurso do Estado da União do presidente dos EUA, Donald Trump, foi acompanhado de perto pelos mercados, por evitar menção direta à China e por tratar de pressões geopolíticas, especialmente em relação ao Irã e à Venezuela.
Trump dedicou grande parte da fala à economia, inflação e tarifas, e anunciou uma proposta de tarifa global de 15% sobre produtos importados, medida que segue gerando preocupação entre investidores sobre possíveis mudanças no comércio internacional.
Além disso, o mercado aguarda o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento nos EUA, e discursos de dirigentes do Federal Reserve, eventos que podem aumentar a volatilidade no segmento de tecnologia e, por arraste, no mercado brasileiro.
Contas públicas e números do Tesouro
As contas do governo revelaram um resultado relevante para a visão fiscal do país, com o Governo Central registrando superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões, segundo o Tesouro Nacional.
Em comparação com janeiro do ano passado, houve leve piora, já que em 2024 o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O Tesouro destacou que a arrecadação federal atingiu o maior nível para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, e que, na prática, a projeção para 2026 aponta para um déficit de R$ 23,3 bilhões, mesmo com a meta oficial de superávit de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões.
Como os fatores se conectam e o que observar
O conjunto formado pela queda do dólar, a alta do Ibovespa, o discurso presidencial nos EUA e os dados fiscais mostra que o mercado segue sensível ao fluxo de informação, tanto externo quanto doméstico.
Investidores continuarão atentos aos números corporativos de tecnologia nos Estados Unidos, às falas do Fed e ao fluxo cambial semanal no Brasil, além de novos dados fiscais, que podem reforçar ou inverter a trajetória do câmbio e da bolsa.
Para próximos dias, sinais de maior aversão ao risco nos mercados internacionais ou alta de juros nos EUA podem pressionar o dólar e o Ibovespa, enquanto uma continuidade na entrada de capitais e dados fiscais favoráveis tende a sustentar a apreciação da bolsa e a queda da moeda norte-americana.