Dólar recua a R$ 5,2749 com mercado cauteloso sobre nomeação do presidente do Fed, ameaças tarifárias de Trump ao Canadá e dados do Boletim Focus
Mercado monitora Boletim Focus, sinalizações sobre a Selic e eleição do próximo presidente do Fed, enquanto tensões entre EUA e Canadá e a alta do Ibovespa aumentam a volatilidade
O dólar começou a sessão desta segunda-feira (26) em queda de 0,22%, sendo cotado a R$ 5,2749 por volta das 9h.
Na sexta-feira, o dólar subiu 0,05%, cotado a R$ 5,2867. Já o principal índice da bolsa de valores brasileira avançou 1,86% nesta sexta-feira, aos 178.859 pontos, marcando o 5º dia consecutivo de ganhos.
A última semana de janeiro concentra atenção em decisões de política monetária nos EUA e no Brasil, além de movimentos políticos internacionais que podem influenciar os mercados e gerar cautela entre investidores, conforme informação divulgada pelo g1
Por que o câmbio recuou nesta manhã
O recuo do dólar tem relação direta com a combinação entre menor apetite por risco em alguns ativos e expectativas sobre decisões de política monetária. Entre os fatores que pressionaram a moeda para baixo está a leitura de indicadores e a antecipação de anúncios importantes nos EUA e no Brasil.
Além disso, parte do movimento reflete ajuste técnico após a oscilação de sexta-feira e liderança de fluxo local, enquanto investidores aguardam clareza sobre o nome que será indicado para presidir o Fed, o Banco Central dos EUA.
Tensões geopolíticas e impacto no mercado
O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou no sábado (24) aplicar tarifas de 100% sobre produtos importados do Canadá caso o país feche um acordo comercial com a China, gerando maior aversão ao risco entre investidores.
O Brasil também acompanha o desdobrar do acordo entre China e Canadá, que prevê permitir a entrada de quase 50 mil carros elétricos chineses com tarifa de 6,1% e redução de tarifas sobre canola, e a reação norte-americana tem potencial de aumentar volatilidade nas moedas e ações.
Em resposta à ameaça, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os acordos comerciais e econômicos com o Canadá não têm como alvo nenhum terceiro país, e que “A China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”, segundo o porta-voz Guo Jiakun.
Boletim Focus e cenário doméstico
Os economistas do mercado financeiro reduziram a projeção da inflação para 2026, de 4,02% para 4%, segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central.
O levantamento mostrou ainda que a expectativa para a Selic é de queda para 12,25% ao final do ano, enquanto o PIB deve crescer 1,8% e o dólar fechar em R$ 5,51, cifras que moldam a visão de investidores sobre juros reais e atratividade de ativos brasileiros.
Essas projeções ajudam a explicar por que parte do movimento de capitais favorece ações locais, em busca de retorno real ajustado, e pressiona o dólar no curto prazo.
Bolsas e indicadores globais
No exterior, Wall Street fechou a sessão de sexta-feira sem direção única, com o Dow Jones Industrial Average caindo 0,58%, o S&P 500 avançando 0,02% e o Nasdaq Composite subindo 0,28%.
Na Europa, o índice STOXX 600 caiu 0,1% e acumulou perda de 1,1% na semana, enquanto bolsas da Ásia tiveram resultados mistos, com destaque para Xangai, Hang Seng e Nikkei em movimentos variados.
No Brasil, o Ibovespa renovou máximas recentes e chegou a alcançar 180.532,28 pontos na máxima da sessão, superando pela primeira vez os 180 mil pontos intradiariamente, e reafirmando o fluxo positivo para ativos locais.
Com informações da agência de notícias Reuters, além de dados e levantamentos divulgados pelo g1