Dólar cai a R$ 5,1305 às 9h15, mercado reage a tarifas de 10% nos EUA, discurso de Trump, balanço da Nvidia e dados do Tesouro sobre superávit primário
Dólar opera em queda na manhã desta quarta-feira, com investidores avaliando riscos globais e as contas públicas do Brasil.
Às 9h15, a moeda americana recuava 0,48%, cotada a R$ 5,1305, enquanto o Ibovespa aguarda abertura às 10h.
O cenário combina medidas comerciais dos EUA, resultados corporativos e dados fiscais domésticos, conforme informação divulgada pelo g1.
Cenário internacional e impacto das tarifas dos EUA
A agenda externa pesa sobre o dólar, após os Estados Unidos avisarem que passarão a aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos que não estejam cobertos por isenções.
A medida, informada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras, corresponde à taxa inicialmente anunciada pelo presidente Donald Trump, e, segundo o comunicado, exceto os produtos listados como isentos, as importações, estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%.
Na véspera, o presidente Trump fez o discurso do Estado da União sem citar a China, mas ameaçou o Irã e citou a operação que levou à prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, além de falar de inflação, tarifas comerciais e mercado de ações.
Resultados corporativos e sinais do Fed
Investidores também monitoram o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento do mercado, e discursos de dirigentes do Federal Reserve, em busca de pistas sobre a política de juros.
A diretora do Fed, Lisa Cook, afirmou, traduzido do inglês, “Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações”, e alertou que a inteligência artificial pode provocar aumento no desemprego, sem necessariamente ampliar a folga na economia.
O presidente da distrital do Fed em Chicago, Austan Goolsbee, disse, também em comentários preparados, “Estou otimista de que, até o final de 206, seria apropriado que [a taxa básica de juros] sofresse mais alguns cortes”, e afirmou que seria arriscado antecipar cortes sem evidências claras de que a inflação está voltando à meta de 2%.
Contas públicas do Brasil e dados externos
No front doméstico, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões.
Também foi divulgado que as transações correntes do balanço de pagamentos, que resumem quanto o país recebe e paga ao exterior com comércio, serviços, rendas e transferências, registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026.
No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB, melhora em relação a períodos anteriores, segundo dados do Banco Central.
Reação dos mercados e números que importam
O movimento de queda do dólar nesta sessão amplia uma retirada iniciada na véspera, quando o Ibovespa subiu 1,40%, aos 191.490,40 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,26%, a R$ 5,1553, com entrada de capital estrangeiro no país.
Os indicadores de curto prazo mostram leituras específicas sobre o câmbio e a bolsa, com os dados do dólar divulgados pelo mercado: Acumulado da semana: -0,40%;Acumulado do mês: -1,76%;Acumulado do ano: -6,07%.
Para o Ibovespa, os números registrados foram: Acumulado da semana: +0,50%;Acumulado do mês: +5,58%;Acumulado do ano: +18,85%.
No exterior, Wall Street fechou em alta, com “O Dow Jones avançou 0,76%, o S&P 500 subiu 0,78% e a Nasdaq ganhou 1,05%”, refletindo maior apetite por risco diante de novidades em inteligência artificial e ajustes em políticas comerciais.
Em resumo, o dólar recua, mas segue vulnerável a notícias sobre tarifas, decisões corporativas e sinais do Fed, enquanto dados fiscais brasileiros e fluxos de capital estrangeiro continuam a determinar movimentos locais.