Queda do dólar nesta manhã reflete combinação de dados fiscais no Brasil, tarifa adicional de 10% nos EUA e expectativa por resultados e falas do Federal Reserve
O mercado brasileiro abriu o dia com o dólar em queda, enquanto investidores digerem números fiscais locais e desenvolvimentos nos Estados Unidos.
A aversão ao risco diminuiu e o Ibovespa segue com desempenho forte, sustentado por entrada de capital estrangeiro e balanços corporativos no exterior.
As informações a seguir foram compiladas, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o pregão abriu
O dólar iniciou a sessão desta quarta-feira (25) em queda, recuando 0,28% por volta das 9h, aos R$ 5,1416. Na véspera, a moeda americana caiu 0,26%, cotada a R$ 5,1553, e o principal índice da bolsa brasileira encerrou com um avanço de 1,40%, aos 191.490,40 pontos, uma nova máxima histórica.
Contas públicas e variável doméstica
No plano fiscal, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado acima da expectativa de superávit de R$ 88,803 bilhões. O dado surpreendeu o mercado e contribuiu para reduzir pressão sobre o câmbio, enquanto o fluxo cambial semanal também será divulgado.
Fatores internacionais que pesam
Nos Estados Unidos, a política comercial voltou ao centro das atenções com a adoção, a partir de hoje, de uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos que não estejam cobertos por isenções, conforme aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras, CBP, informando que, exceto os produtos listados como isentos, as importações “estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%”.
Além disso, investidores monitoram o balanço da Nvidia, previsto após o fechamento do mercado, e uma série de discursos de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia, em busca de pistas sobre a condução futura da taxa de juros.
Discursos do Fed e reação dos mercados
Dirigentes do banco central americano trouxeram comentários com impacto nas expectativas. A diretora Lisa Cook afirmou que “Parece que estamos nos aproximando da reorganização mais significativa do trabalho em gerações”, ao comentar efeitos da inteligência artificial no mercado de trabalho.
O presidente do Fed em Chicago, Austan Goolsbee, declarou que “Estou otimista de que, até o final de 206, seria apropriado que [a taxa básica de juros] sofresse mais alguns cortes”, ao mesmo tempo em que alertou sobre o risco de antecipar cortes sem evidências claras de queda da inflação.
Panorama dos mercados globais
Em Wall Street, os três principais índices fecharam em alta, com o Dow Jones avançando 0,76%, o S&P 500 subindo 0,78% e a Nasdaq ganhando 1,05%, em meio à busca por ativos de risco e à expectativa sobre tecnologia e tarifas americanas.
Na Europa, o índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,23%, a 629,14 pontos. Em Ásia, o retorno dos investidores chineses impulsionou índices locais, com Xangai subindo 0,9% e o CSI300 avançando 1%. Em Tóquio, o Nikkei cresceu 0,9%, para 57.321 pontos, o Kospi teve alta de 2,11% e o Taiex subiu 2,75%.
Dados externos e pontos de atenção
O Banco Central divulgou que as transações correntes registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, pior que a projeção de US$ 6,4 bilhões, mas abaixo do déficit de US$ 9,8 bilhões de janeiro de 2025. No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit de transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB.
A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, com exportações de US$ 25,3 bilhões e importações de US$ 21,8 bilhões, e, na comparação anual, as exportações caíram 1,2%, enquanto as importações recuaram 10,0%.
O que acompanhar hoje
Os investidores vão seguir de perto a divulgação do fluxo cambial semanal, anúncios de resultados corporativos nos EUA, e os discursos do Fed. No Brasil, a atenção permanece sobre os dados fiscais e qualquer sinal de entrada ou saída relevante de capital estrangeiro.
Em paralelo, o cenário político local também influencia os mercados, com pesquisas recentes indicando empate técnico entre candidatos num eventual segundo turno, e repercussões de eventos nacionais afetando o humor dos investidores.