Dólar recua com foco no discurso de Trump, balanço da Nvidia e nas contas públicas do Brasil, Tesouro registra superávit e mercado reage; entenda os efeitos

Dólar hoje cai enquanto investidores avaliam o Estado da União de Trump, o balanço da Nvidia após o pregão e o superávit primário divulgado pelo Tesouro Nacional

Dólar opera em queda nesta quarta-feira, em meio a sinais mistos no exterior e notícias sobre as contas públicas brasileiras.

Na abertura, a moeda americana recuava, refletindo aversão menor ao risco após o discurso do presidente dos EUA e dados do Tesouro.

Os pontos centrais do dia são o balanço da Nvidia, discursos de dirigentes do Federal Reserve e o resultado das contas do governo, conforme informação divulgada pelo g1.

Leitura do mercado e números imediatos

Por volta das 9h15, o dólar recuava 0,48%, cotado a R$ 5,1305, depois de, na véspera, ter caído 0,26%, cotado a R$ 5,1553, segundo dados do mercado.

O movimento de queda ocorreu junto com a valorização do Ibovespa, que na terça-feira encerrou em nova máxima histórica, subindo 1,40%, aos 191.490,40 pontos, alimentada por entrada de capital estrangeiro no país.

Os acumulados do período mostram o ambiente favorável ao real, com o dólar acumulando na semana -0,40%, no mês -1,76% e no ano -6,07%, enquanto o Ibovespa registra acumulações de semana +0,50%, mês +5,58% e ano +18,85%, conforme informações divulgadas pelo g1.

O que pesa a favor e contra o dólar

Entre os fatores que pressionam o câmbio para baixo está o apetite por ativos locais, com fluxo de capital estrangeiro entrando no Brasil e o bom desempenho do mercado de ações.

Do lado externo, o tom do discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, e o calendário de resultados corporativos influenciam o humor dos investidores.

Trump evitou mencionar a China no Estado da União, fez alertas ao Irã, citou a operação que levou à prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e falou sobre inflação, tarifas e o desempenho do mercado de ações, pontos acompanhados de perto pelo mercado.

Agenda nos EUA e impacto global

Investidores também aguardam o balanço da Nvidia, que seria divulgado após o fechamento do mercado, considerado um termômetro para empresas de tecnologia que apostam em inteligência artificial.

Antes da abertura, os índices futuros em Wall Street indicavam leves altas, com S&P 500 a +0,1%, Dow Jones a +0,1% e Nasdaq a +0,3%, e o clima positivo em bolsas europeias e asiáticas ajudava a reduzir a pressão sobre o dólar.

Além disso, discursos de dirigentes do Federal Reserve estão no radar, pois podem sinalizar a trajetória de juros nos EUA e, consequentemente, a atratividade do dólar.

Contas públicas do Brasil e o efeito no câmbio

No front doméstico, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado abaixo da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões.

Na comparação com janeiro do ano passado, houve leve piora, dado que, em 2024, o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação, segundo divulgação do Tesouro.

O resultado foi favorecido pela arrecadação federal, que alcançou o maior nível para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, impulsionando a percepção de melhora nas contas e colaborando para a valorização do real.

O arcabouço fiscal prevê meta de 0,25% do PIB para 2026, o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões, com faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que significa que a meta será considerada cumprida mesmo se o resultado for zero ou se o superávit chegar a R$ 68,6 bilhões.

O arcabouço também permite que o governo exclua até R$ 57,8 bilhões em despesas do cálculo, e na prática a previsão é de que o governo registre um déficit de R$ 23,3 bilhões em 2026, conforme os números apresentados pelo Tesouro.

O que observar daqui para frente

O curto prazo para o dólar dependerá da leitura dos resultados corporativos nos EUA, principalmente da Nvidia, dos próximos discursos do Fed e da evolução das contas públicas no Brasil.

Se a arrecadação e os resultados fiscais seguirem firmes, o real tende a se manter estável ou com leve valorização, especialmente se houver continuidade do fluxo de capital estrangeiro para ativos brasileiros.

Por outro lado, sinais de maior aversão ao risco no exterior ou surpresas negativas nas contas domésticas podem reverter o movimento e pressionar o câmbio para cima, então investidores permanecem atentos ao noticiário econômico e político, conforme informação divulgada pelo g1.