Dólar recua e Ibovespa reage com fala de Flávio Bolsonaro sobre candidatura; veja o que afeta o mercado

Dólar abre em leve queda e Ibovespa mostra volatilidade após declarações de Flávio Bolsonaro sobre candidatura

O mercado financeiro brasileiro reage com cautela e volatilidade às recentes declarações do senador Flávio Bolsonaro a respeito de sua possível candidatura à Presidência em 2026. Após um dia de forte turbulência na sexta-feira, o dólar iniciou a sessão desta segunda-feira (8) com uma leve queda, enquanto o Ibovespa apresentava oscilações.

A possibilidade de Flávio Bolsonaro desistir da disputa presidencial em troca de anistia para o pai, Jair Bolsonaro, intensificou a incerteza no cenário político e eleitoral. Essa movimentação recoloca os acontecimentos políticos no centro das análises dos investidores, que acompanham de perto os desdobramentos.

A pré-candidatura anunciada na sexta-feira pegou muitos de surpresa e provocou uma reação imediata no mercado. Conforme divulgado pelo g1, o dólar disparou mais de 2% na sessão de sexta-feira, atingindo o maior valor em quase dois meses, e o Ibovespa caiu 4,31%.

Flávio Bolsonaro e a incerteza eleitoral

A fala de Flávio Bolsonaro, que indicou que sua desistência da candidatura presidencial em 2026 “tem um preço”, adicionou uma camada significativa de incerteza ao panorama político brasileiro. A menção à possibilidade de negociação em troca de anistia para o pai, Jair Bolsonaro, que está impedido de disputar eleições, foi mal recebida pelo mercado financeiro.

Analistas avaliam que a entrada de Flávio Bolsonaro na corrida pode fragmentar a base de apoio bolsonarista. A expectativa anterior do mercado era de uma chapa mais competitiva, possivelmente encabeçada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com Michelle Bolsonaro como vice. Essa formação era vista como mais capaz de unificar a direita e apresentar uma oposição mais forte ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, destaca que a cogitação inicial de uma candidatura de Tarcísio de Freitas, com o apoio de Jair Bolsonaro, era vista como mais consolidada e competitiva. A mudança para a candidatura de Flávio, em sua visão, pode gerar disputas internas e dificultar a formação de uma frente unificada contra Lula.

Foco na política monetária e dados econômicos

Apesar da volatilidade política, o cenário econômico continua sendo influenciado por outros fatores importantes. Nesta semana, as atenções se voltam para as decisões de política monetária do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve (Fed), dos Estados Unidos, que anunciam seus comunicados na quarta-feira (10).

No Brasil, o mercado espera que a taxa Selic seja mantida em 15%. A expectativa é por sinais sobre o início do ciclo de cortes nos juros. Nos Estados Unidos, cresce a aposta em mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros, embora a decisão possa gerar divergências dentro do Fed.

Outro destaque no Brasil é o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira. As projeções de inflação para 2025 recuaram de 4,43% para 4,40%, marcando a quarta queda seguida. Para 2026, a previsão caiu de 4,17% para 4,16%, no terceiro ajuste consecutivo.

Bolsas internacionais e perspectivas

No cenário internacional, os mercados americanos estão atentos aos dados de inflação, que podem confirmar a expectativa de corte de juros pelo Fed. Em Wall Street, os índices operavam em alta na abertura. As bolsas europeias fecharam mistas, enquanto as asiáticas apresentaram resultados positivos.

Mesmo com a volatilidade decorrente da política, alguns analistas mantêm uma visão otimista para a bolsa brasileira no médio prazo. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, aponta que o pano de fundo continua favorável, com preços vantajosos, o iminente ciclo de cortes de juros e expectativas de mudanças políticas que viabilizem uma agenda de reformas.

A “superquarta” da próxima semana, com as decisões de política monetária, pode reforçar essa tendência positiva, especialmente se a diferença de juros beneficiar o câmbio e impulsionar o mercado acionário. A dinâmica entre a política brasileira e os movimentos econômicos globais continuará a moldar o comportamento dos ativos nos próximos dias.