Dólar recua em meio à cautela sobre indicação do novo presidente do Fed e tensões entre EUA, Canadá e China, mercado monitora impacto no Ibovespa e nas projeções do BC

Dólar recua com atenção à indicação do Fed, risco de novas tarifas e decisões de juros no Brasil, investidores pesam efeitos no câmbio e nas ações

O dólar operava em leve queda de 0,05%, cotado a R$ 5,2843 por volta das 10h15 desta segunda-feira, e o Ibovespa oscilava perto da estabilidade, com queda de 0,03%, aos 178.812 pontos.

O movimento reflete a combinação de fatores domésticos, como as novas projeções do mercado no Boletim Focus, e externos, entre eles a expectativa sobre a escolha do novo presidente do Federal Reserve, e tensões comerciais envolvendo EUA, Canadá e China.

Os dados e declarações citados a seguir foram divulgados em reportagens do g1, e incluem números do Boletim Focus e informações de mercado.

Panorama doméstico e Boletim Focus

O Banco Central divulgou o Boletim Focus nesta segunda-feira, com levantamento feito na última semana entre mais de 100 instituições financeiras.

Os economistas reduziram a projeção da inflação para 2026, de 4,02% para 4%, e mantiveram expectativas para 2027 em 3,80%, e para 2028 e 2029 em 3,50%.

O mercado projeta que a taxa Selic, depois de fechar 2025 em 15% ao ano, deve cair para 12,25% ao final de 2026 e para 10,50% em 2027.

Para o crescimento, a previsão de PIB em 2026 se manteve em 1,8%, e a cotação do dólar deve encerrar 2026 em R$ 5,51, segundo o Focus.

Cenário externo, Fed e riscos políticos nos EUA

Nos EUA, cresce a expectativa sobre a escolha do novo presidente do Federal Reserve, em meio a rumores de que o presidente Donald Trump pode indicar o sucessor de Jerome Powell ainda nesta semana.

Investidores se mostram cautelosos, porque existe incerteza sobre o grau de independência que o novo nome terá, e isso afeta a percepção sobre política monetária e, por consequência, o dólar.

A possibilidade de nova paralisação do governo americano também preocupa, em meio à resistência democrata em votar o Orçamento, e a disputa por medidas de segurança após casos que ganharam atenção pública.

Tensões geopolíticas, acordo China-Canadá e ameaças de tarifas

As tensões comerciais voltaram ao radar depois da ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país feche um acordo com a China.

Canadá e China anunciaram uma parceria que prevê que a China reduza tarifas sobre a canola canadense, e que o Canadá permita a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa de 6,1%, bem abaixo dos 100% aplicados anteriormente.

O ministério das Relações Exteriores da China afirmou que os acordos com o Canadá não têm como alvo nenhum terceiro país, e declarou que “a China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”, segundo pronunciamento oficial citado pelo g1.

Desempenho das bolsas e indicadores

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 1,86%, aos 178.858,54 pontos, registrando o quinto dia consecutivo de ganhos e renovando o recorde histórico, segundo dados divulgados.

Na máxima da sessão, o índice atingiu 180.532,28 pontos, superando os 180 mil pontos pela primeira vez. O dólar, por sua vez, havia subido 0,05% na sexta, cotado a R$ 5,2867, antes da leve queda observada hoje.

Os acumulados divulgados pelo g1 indicam que o dólar registra, no ano e no mês, queda de 3,68%, e na semana recuo de 1,60%. O Ibovespa soma na semana alta de 8,53%, no mês 11,01%, e no ano 11,01%.

No exterior, os contratos futuros de Wall Street operavam em queda antes da abertura, com Dow Jones caindo 0,08%, S&P 500 perdendo 0,20% e Nasdaq recuando 0,30%, e movimentos nas bolsas europeias e asiáticas refletiam cautela, com dados compilados por agências de notícias internacionais.

Em resumo, o dólar e o Ibovespa seguem sensíveis a sinais de política monetária, projeções econômicas locais, e riscos geopolíticos, e os investidores devem acompanhar a agenda de decisões de juros e anúncios sobre comércio internacional nos próximos dias.