Dólar sobe com CPI dos EUA no radar, investigação do Banco Master e pressões políticas no Brasil, impactos no câmbio e na bolsa
Mercado monitora o CPI americano às 10h30, IGP-10 fraco, saída de Toffoli da relatoria do caso Banco Master e balanços que pesam em ações e no câmbio
O mercado financeiro abriu a sexta-feira com o dólar em alta, com investidores atentos ao indicador de inflação nos Estados Unidos e ao cenário político no Brasil.
A cotação da moeda americana subiu pela manhã, enquanto a bolsa brasileira operava sob pressão, no último pregão antes do feriado de Carnaval.
Esses movimentos refletem a combinação entre dados econômicos internacionais, indicadores locais e reviravoltas no Supremo Tribunal Federal, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o CPI dos EUA influencia o câmbio
O principal destaque da agenda internacional é o índice de preços ao consumidor, o CPI dos Estados Unidos, programado para às 10h30, que indica o ritmo da inflação no país.
Se o CPI vier mais forte que o esperado, aumenta a probabilidade de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve, o que costuma fortalecer o dólar globalmente e pressionar ativos de risco, incluindo ações brasileiras.
No pregão anterior, as bolsas americanas já recuaram de forma expressiva: o Nasdaq caiu 2%, o S&P 500 perdeu cerca de 1,6% e o Dow Jones recuou 1,3%, em reação à expectativa sobre dados de inflação e taxa de juros.
Dados domésticos e abertura do dia
O dólar iniciou a sessão cotado a R$ 5,2240, alta de 0,47%, depois de ter fechado na véspera a R$ 5,1998, alta de 0,25%.
Quanto ao comportamento acumulado, a moeda registra na semana -0,39%, no mês -0,91% e no ano -5,26%.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, vinha no dia anterior em 187.766 pontos, queda de 1,02%, e abriu a última sessão antes do feriado em horário reduzido.
Indicadores locais que mexem com o mercado
No Brasil, o IGP-10 de fevereiro caiu 0,42%, contra expectativa de queda de 0,12%, o que levou o índice a acumular deflação de 2,25% em 12 meses, segundo a Fundação Getulio Vargas, a FGV.
O resultado do atacado, puxado por itens como soja e minério de ferro, explicou boa parte da queda do IGP-10, enquanto os preços ao consumidor subiram, por reajustes em educação e altas em gasolina, transporte e moradia.
Além disso, o IBGE informou que as vendas do varejo brasileiro recuaram 0,4% em dezembro ante novembro, e subiram 2,3% na comparação anual, o que mostra recuperação, porém com sinais de desaceleração.
Cenário político, relatoria no STF e efeitos no mercado
No campo político e institucional, o tema do dia foi o pedido de afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso que envolve o Banco Master no Supremo Tribunal Federal.
Por sorteio, a relatoria passou para o ministro André Mendonça, depois que a Polícia Federal localizou menções a Toffoli nos dados do celular do banqueiro investigado, o que gerou desconforto interno no tribunal.
Os ministros afirmaram que não há prova de irregularidade por parte de Toffoli, e ele nega qualquer relação financeira com o banqueiro, mas a mudança na relatoria traz incerteza, e o efeito sobre a confiança dos investidores pesa no dólar e no mercado acionário.
Temporada de balanços e notícias corporativas
Na agenda corporativa, o mercado acompanhou resultados que influenciam o humor dos investidores, entre eles a teleconferência da Vale e balanços de Usiminas e Banco do Brasil.
O Banco do Brasil informou um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre, fato que elevou a inadimplência a 5,17%, contra uma taxa que poderia ter sido 4,88% sem o caso, segundo a própria instituição.
A Vale registrou prejuízo de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre, em grande parte por ajustes contábeis ligados ao negócio de níquel no Canadá, embora as vendas de minério de ferro e cobre tenham sido sólidas.
Esses resultados ajudam a explicar parte da volatilidade das ações, e reforçam a atenção dos investidores ao impacto dos balanços sobre setores específicos do mercado brasileiro.
Panorama global e fechamento
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em queda, com o Hang Seng -1,72%, Xangai -1,26%, CSI300 -1,25% e Nikkei -1,21%, em um dia de pouco movimento devido ao Ano Novo Lunar na China.
Com o CPI dos EUA no centro das atenções e desdobramentos no cenário político local, a combinação de fatores elevou a aversão ao risco, contribuindo para a alta do dólar e para a cautela entre os investidores no Brasil.
O desfecho do dia vai depender, em boa parte, do dado de inflação americano e das próximas movimentações no âmbito do STF e dos relatórios de resultados corporativos.