Dólar sobe com Focus mais apertado e tensões por tarifas de Trump à Europa, investidores monitoram Selic, petróleo, Fed e cena política brasileira
Dólar opera em alta com avanço de 0,16%, mercado atento ao Boletim Focus, à ameaça de tarifas de Donald Trump à União Europeia e aos sinais do Fed e do petróleo
O dólar abre a semana em alta, em meio a uma combinação de dados domésticos e novos ruídos geopolíticos que afetam o apetite por risco global.
Na manhã desta segunda-feira, a moeda americana registrava avanço de 0,16% por volta das 9h10, cotada a R$ 5,3809, enquanto o Ibovespa só abre às 10h, em pregão com liquidez reduzida por feriado nos EUA.
O movimento reflete reação ao Boletim Focus, às declarações do presidente dos EUA sobre tarifas à Europa, e a incertezas sobre o Fed e o petróleo, conforme informação divulgada pelo g1.
Leitura do mercado doméstico, Focus e juros
O Boletim Focus trouxe mudanças modestas nas projeções, com a estimativa de inflação para 2026 recuando de 4,05% para 4,02%, e a mediana da taxa Selic subindo de 9,88% para 10%, segundo o relatório divulgado pelo Banco Central e informado pelo g1.
Os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50. Para o fim de 2026, a mediana da Selic ficou em 12,25% ao ano, e para 2027 a projeção segue em 10,50% ao ano.
No campo da atividade, o mercado manteve a previsão de crescimento do PIB em 2026 em 1,80%, indicando uma desaceleração frente ao ritmo estimado para 2025.
Tensões geopolíticas e o impacto das ameaças de tarifas
As preocupações externas também pressionam o câmbio, após o presidente Donald Trump anunciar que pretende impor tarifas a oito países europeus caso resistam ao plano dos EUA sobre a Groenlândia.
Em publicação, Trump afirmou, ‘A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.’
Em resposta, governos europeus discutem medidas de retaliação, incluindo tarifas de € 93 bilhões ou restrições ao acesso de empresas americanas ao mercado europeu, segundo informações do Financial Times citadas pelo g1.
Mercados globais, petróleo e Fed
O feriado de Martin Luther King Jr. mantém o mercado à vista de ações dos EUA fechado, reduzindo liquidez e potencializando volatilidade quando a sessão retomar, informou o g1.
Apesar do feriado, os futuros de Wall Street operavam sob pressão, após as ameaças de tarifas. Nos mercados de commodities, os preços do petróleo recuavam, com o Brent caindo 0,73%, a US$ 63,66, e o WTI recuando 0,47%, a US$ 58,92 por volta das 9h, conforme dados citados pelo g1.
Investidores também monitoram a sucessão no Federal Reserve e sinais de desaceleração da economia global, fatores que podem sustentar a volatilidade do dólar frente a moedas emergentes, inclusive o real.
Panorama das bolsas e indicadores intradiários
Na sexta-feira anterior, o dólar fechou com avanço de 0,08%, cotado a R$ 5,3725, e a bolsa recuou 0,46%, aos 164.800 pontos, segundo o g1.
Na manhã europeia, as principais bolsas operavam próximas da estabilidade, com o DAX recuando 0,1%, o CAC 40 caindo 0,4% e o FTSE 100 avançando 0,1%. Nos futuros americanos antes da abertura, havia expectativa de leve alta no Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq.
Os acumulados mostram o dólar na semana com alta de 0,14%, e no mês e no ano com queda de 2,12%. O Ibovespa registra alta de 0,88% na semana e ganho de 2,28% no mês e no ano, segundo o levantamento divulgado pelo g1.
O cenário para o câmbio seguirá sensível às decisões do Banco Central, às próximas leituras do Boletim Focus, à evolução das tensões comerciais e às flutuações do petróleo, elementos que definirão o rumo do dólar nos próximos dias.