Dólar sobe com mercados em alerta após ameaças de tarifas de Trump sobre a Groenlândia, impacto no câmbio brasileiro, bolsas e projeções do Boletim Focus
A alta do dólar, cotado a R$ 5,3791 na abertura, chega em meio ao aumento das tensões entre EUA e Europa por ameaças de tarifas ligadas à Groenlândia, e riscos políticos que pressionam câmbio e ações
O dólar abriu em alta nesta terça-feira, com avanço de 0,28%, sendo negociado a R$ 5,3791, após fechar a véspera em R$ 5,3640, queda de 0,16%.
O movimento acompanha uma escalada de declarações e medidas que tensionam a relação entre Estados Unidos e países europeus, além de eventos políticos e econômicos internacionais que mantêm investidores em alerta.
As informações e dados usados nesta reportagem foram compilados, conforme informação divulgada pelo g1.
Ameaça de tarifas de Trump e resposta europeia
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos importados de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026, e elevar a cobrança para 25% em 1º de junho de 2026, caso esses governos se oponham à tentativa americana de ampliar controle sobre a Groenlândia.
Na rede social Truth Social, Trump publicou, textualmente, que, “A partir de 1º de fevereiro de 2026, todos os países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) estarão sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todas as mercadorias enviadas aos EUA. Em 1º de junho de 2026, a tarifa será aumentada para 25%.”
Em reação, líderes e governos europeus classificaram as ameaças como “inaceitáveis” e avaliaram medidas de retaliação. A França pressiona o bloco a acionar o mecanismo mais duro de retaliação, o Instrumento Anticoerção, e há discussões sobre tarifas de até €93 bilhões sobre produtos americanos, segundo reportagens internacionais.
Impacto imediato no mercado, bolsas e expectativas
O movimento no câmbio ocorreu com investidores atentos ao Fórum Econômico Mundial em Davos, onde Trump tem agenda e pretende defender a importância estratégica da ilha, e também à audiência da diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, na Suprema Corte dos EUA, após uma tentativa de demissão por parte do presidente, um caso visto como teste à independência do Fed.
No mercado doméstico, o Ibovespa abriu mais tarde, e os acumulados divulgados indicam para o dólar Acumulado da semana: -0,16%, Acumulado do mês: -2,27%, Acumulado do ano: -2,27%. O Ibovespa apresenta, segundo dados do dia, Acumulado da semana: +0,03%, Acumulado do mês: +2,31%, Acumulado do ano: +2,31%, com a referência do índice em torno de 164.849 pontos no fechamento anterior.
No exterior, as bolsas europeias recuaram em meio às tensões, com o índice STOXX caindo 1,23%, o DAX de Frankfurt recuando 1,34%, o CAC 40 em Paris caindo 1,78%, e o FTSE 100 de Londres perdendo 0,39%. Na Ásia, o cenário foi misto, com destaque para dados chineses fracos e ações reagindo a medidas do banco central local.
Boletim Focus e projeções para inflação, juros e câmbio
O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, traz dados que influenciam as expectativas do mercado. Os economistas reduziram levemente a projeção de inflação para 2026, de 4,05% para 4,02%, e mantiveram as expectativas para 2027 em 3,80%, e para 2028 e 2029 em 3,50% cada.
Em relação à Selic, depois de encerrar 2025 em 15% ao ano, o mercado projeta redução ao longo de 2026, com a taxa estimada para o fim de 2026 em 12,25% ao ano, e para o final de 2027 em 10,50% ao ano. Para a atividade econômica, a projeção do mercado para o PIB de 2026 foi mantida em alta de 1,80%. Para o câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,50.
Riscos e agenda que podem mexer com o dólar nos próximos dias
Além das ameaças comerciais e das decisões em Davos, investidores monitoram a evolução do caso envolvendo a diretora do Fed e a possibilidade de retaliações econômicas da União Europeia. Um desgaste prolongado entre EUA e aliados europeus poderia aumentar a volatilidade no câmbio e nas bolsas, elevando a busca por proteção em moedas fortes, como o dólar.
Para o mercado doméstico, declarações de autoridades, indicadores de inflação e os próximos boletins de dados econômicos, inclusive sinais sobre a trajetória da Selic, serão determinantes para a direção do dólar. Enquanto isso, a combinação de risco político externo e cenário interno de juros elevados mantém a atenção dos investidores, e o câmbio tende a responder com volatilidade.
Em síntese, o movimento do dólar nesta sessão reflete uma confluência de fatores políticos e econômicos globais, com impacto direto em preços, expectativas de juros e comportamento das bolsas, enquanto agentes monitoram respostas europeias e as próximas etapas da agenda internacional.