Mercado acompanha a entrada em vigor da tarifa adicional de 10% da Alfândega dos EUA, sinais do Federal Reserve, e déficit em transações correntes do Brasil de US$ 8,4 bilhões
O dólar opera em alta nesta manhã, refletindo a incerteza criada pela nova política de tarifas dos Estados Unidos e por dados do setor externo brasileiro.
Investidores também seguem discursos de dirigentes do Federal Reserve e ficam atentos ao discurso do presidente dos EUA no Congresso, enquanto dados do Banco Central mostram evolução nas transações correntes.
Nos mercados locais, influências externas e indicadores domésticos se combinam para desenhar a direção da moeda e da bolsa, com atenção especial para saldo comercial e contas de serviços.
conforme informação divulgada pelo g1
Tarifa dos EUA e impacto imediato sobre o dólar
Na terça-feira, entrou em vigor nos Estados Unidos uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, conforme aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras. A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, ampliou a incerteza sobre a política comercial americana.
A própria Alfândega informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações “estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%“. A notícia pressiona ativos mais sensíveis ao ambiente externo, incluindo o dólar e ações ligadas ao comércio internacional.
Dados do Brasil, balanço de pagamentos e efeitos sobre câmbio
O Banco Central divulgou que as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB).
A melhora foi explicada pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela redução do déficit na conta de serviços, em US$ 581 milhões, parcialmente compensados por um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária.
Além disso, “A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025.” As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões.
Leitura de mercado e desempenho de índices
Em termos práticos, a pauta externa e os dados domésticos deixaram o dólar mais valorizado, enquanto o principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, mostrou abertura acompanhada por volatilidade. Na véspera, “a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685. A bolsa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos.”
O boletim de indicadores também traz os seguintes painéis, com a variação acumulada do dólar e do Ibovespa: “Acumulado da semana: -0,14%;Acumulado do mês: -1,51%;Acumulado do ano: -5,83%.” e para a bolsa, “Acumulado da semana: -0,88%;Acumulado do mês: +4,13%;Acumulado do ano: +17,21%.” Esses números mostram que, mesmo com a alta atual, o cenário do mês e do ano segue com ganhos para alguns investidores.
O que vigiar nas próximas horas
Além da tramitação política e das incertezas sobre tarifas, o calendário traz discursos de dirigentes do Federal Reserve e a divulgação da pesquisa ADP sobre vagas no setor privado, que podem renovar movimentos no câmbio e nas ações.
No Brasil, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ouve o presidente interino da CVM, João Accioly, em investigações que acompanham o caso do Banco Master, o que também pode influenciar o humor do mercado local.
Em resumo, a combinação entre a tarifa adicional de 10% dos EUA, os sinais da política monetária global e os indicadores das transações correntes do Brasil deve manter o dólar em destaque nos próximos dias, com efeitos diretos sobre importações, exportações e o desempenho do Ibovespa.