Dólar sobe com tarifa adicional de 10% dos EUA em vigor, déficit em transações correntes do Brasil e impactos no Ibovespa, entenda os números e riscos

Dólar reage à entrada em vigor da tarifa dos EUA, ao déficit de US$ 8,4 bilhões em transações correntes, e às falas do Fed, com reflexos no Ibovespa e mercados globais

O mercado cambial abriu nesta terça-feira com o dólar em alta, refletindo a incerteza provocada por novas tarifas americanas e dados econômicos do Brasil.

Pouco depois das 9h, o dólar avançava 0,06%, cotado a R$ 5,1720, após recuo na véspera, conforme os números do mercado.

Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685, e a bolsa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos, conforme informação divulgada pelo g1.

Tarifas dos EUA e reação imediata

Entrou em vigor nos Estados Unidos uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, de acordo com aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras, e a medida corresponde ao percentual anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira.

A CBP informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações “estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%”, medida que ampliou a incerteza sobre a política comercial americana.

Além disso, Trump afirmou que poderia elevar o percentual para 15% em comunicações subsequentes, e o tema ganha ainda mais relevância com o discurso anual do Estado da União marcado para as 23h, horário de Brasília.

Dados do setor externo brasileiro

O Banco Central informou que as transações correntes registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões em janeiro de 2025.

O resultado veio pior do que a mediana das projeções, que indicavam déficit de US$ 6,4 bilhões, segundo levantamento citado pela reportagem.

No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB, contra US$ 72,4 bilhões no mesmo período de 2025.

A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025, com exportações somando US$ 25,3 bilhões e importações totalizando US$ 21,8 bilhões.

O BC apontou que a melhora foi explicada pelo aumento do superávit na balança de bens em US$ 2,1 bilhões e pela redução do déficit na conta de serviços em US$ 581 milhões, parcialmente compensados por um aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária.

Cenário global e expectativas para investidores

Investidores monitoram também discursos de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia, e a divulgação da pesquisa semanal da ADP sobre criação de vagas no setor privado, cuja leitura anterior indicou abertura de 10,25 mil postos de trabalho.

Nos mercados globais, o sentimento refletiu a incerteza sobre a política tarifária dos EUA, com bolsas europeias pressionadas, e movimentos mistos na Ásia, entre avanços e feriados que reduziram o volume de negociações.

Para quem acompanha o dólar e o Ibovespa, os números recentes oferecem sinais opostos, e a combinação de tarifas externas e dados do setor externo brasileiro tende a manter a volatilidade no curto prazo.

Painel rápido de mercado

Dólar – Acumulado da semana: -0,14%,Acumulado do mês: -1,51%,Acumulado do ano: -5,83%.

Ibovespa – Acumulado da semana: -0,88%,Acumulado do mês: +4,13%,Acumulado do ano: +17,21%.