quinta-feira, junho 4, 2026

Dólar sobe com tarifa adicional de 10% dos EUA em vigor, déficit externo do Brasil e discursos do Fed pressionam mercados, entenda os cenários

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Mercado reage à entrada em vigor de tarifas dos EUA e a dados do setor externo brasileiro, com o dólar em alta, volatilidade no Ibovespa e atenção a discursos do Fed

O dólar iniciou a sessão desta terça-feira em alta, com avanço de 0,06% pouco depois das 9h, cotado a R$ 5,1720, enquanto o Ibovespa prepara sua abertura às 10h.

Investidores monitoram a entrada em vigor de uma tarifa adicional norte-americana e discursos de dirigentes do Federal Reserve, além da divulgação da pesquisa semanal da ADP sobre vagas no setor privado.

No Brasil, o Banco Central informou que as transações correntes registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, dados que seguem impactando a avaliação do risco externo, conforme informação divulgada pelo g1

Tarifas dos EUA entram em vigor e ampliam incerteza

Entrou em vigor nesta terça-feira uma tarifa adicional de 10% sobre produtos importados que não estejam cobertos por isenções, segundo aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, a CBP.

A medida corresponde ao percentual inicialmente anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira, e não ao aumento para 15% mencionado posteriormente. A decisão, anunciada após corte da Suprema Corte que derrubou tarifas anteriores, amplia a incerteza sobre a política comercial americana.

O movimento também ocorre enquanto Trump faz o discurso anual do Estado da União no Capitólio, e investidores avaliam sinais sobre a política econômica e risco político nos EUA.

Dados do setor externo do Brasil, números e explicações

As transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, resultado que veio pior do que a mediana das projeções consultadas pela Reuters, que apontavam déficit de US$ 6,4 bilhões, mas que ainda é menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025.

Na comparação anual, a melhora foi explicada pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela redução do déficit na conta de serviços, em US$ 581 milhões, parcialmente compensados por aumento de US$ 1,3 bilhão no déficit em renda primária.

No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB), ante US$ 69,0 bilhões (3,03% do PIB) em dezembro de 2025, e US$ 72,4 bilhões (3,35% do PIB) em janeiro de 2025.

A balança comercial de bens teve superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025. As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as exportações caíram 1,2%, e as importações recuaram 10,0%.

Reação dos mercados globais e do Brasil

Os mercados globais refletiram o aumento da incerteza comercial, com os três principais índices de Wall Street registrando quedas na sessão anterior, e bolsas europeias pressionadas pelo noticiário externo.

No fechamento europeu, o índice STOXX 600 recuou 0,45%, o DAX da Alemanha caiu 1,06%, para 24.991,97 pontos, e o CAC 40 recuou 0,22%, a 8.497,17 pontos. O FTSE 100 fechou praticamente estável, com leve queda de 0,02%, a 10.684,74 pontos.

Na Ásia, bolsas como Japão e China continental ficaram fechadas por feriados, reduzindo o volume de negociações, enquanto o Hang Seng subiu 2,5%, e o Kospi avançou 0,7%.

No Brasil, na véspera a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685, e a bolsa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos, mostrando que o cenário externo segue ditando parte do humor local.

Perspectivas e riscos no curto prazo

Para os próximos dias, a atenção segue voltada aos discursos de dirigentes do Federal Reserve, à pesquisa semanal da ADP e ao andamento de investigações e audiências internas, como a oitiva do presidente interino da CVM na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Esses eventos, combinados às mudanças nas tarifas americanas e aos números do setor externo brasileiro, devem seguir influenciando a cotação do dólar, a volatilidade do Ibovespa e as perspectivas para fluxo de capitais no país.

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