Dólar sobe com tarifa adicional de 10% dos EUA em vigor e dados do setor externo do Brasil, entenda efeitos no câmbio, no Ibovespa e nas transações correntes
Movimento do câmbio reflete incerteza sobre a nova política comercial americana, além de números do balanço de pagamentos e sinais de mercado, em um dia de atenções concentradas
Dólar opera em alta na manhã desta terça-feira, em um pregão marcado por maior aversão ao risco e pela entrada em vigor de medidas tarifárias dos Estados Unidos.
O mercado acompanha também estatísticas do setor externo brasileiro e discursos de dirigentes do Federal Reserve, que podem alterar expectativas sobre juros e fluxos de capitais.
Conforme informação divulgada pelo g1, a combinação de fatores locais e externos explica a oscilação vista nos preços hoje.
Como está o câmbio e a bolsa
O câmbio vinha de um desempenho diferente, “Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685. A bolsa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos.”, conforme divulgado pelo g1.
Na manhã desta terça, o dólar registrou avanço, com um ganho de 0,30% por volta das 9h45, cotado a R$ 5,1842, refletindo maior cautela entre investidores diante das novas tarifas e do calendário econômico.
Tarifas dos EUA e efeito sobre o mercado
Entrou em vigor uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, conforme aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, a CBP.
A medida corresponde, segundo o comunicado, “à taxa inicialmente anunciada pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20), e não aos 15% mencionados posteriormente”, o que aumentou a incerteza sobre a política comercial americana.
Investidores também monitoram o discurso do presidente dos EUA no Estado da União e falas de membros do Federal Reserve ao longo do dia, além da pesquisa da ADP sobre criação de vagas no setor privado.
Dados do setor externo brasileiro
O Banco Central divulgou que “As transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025.”, informação que mostra melhora anual, mas que ficou pior que a projeção de mercado.
Nos 12 meses até janeiro, “o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB).”, apontou o Banco Central, com avanços explicados pelo aumento do superávit na balança comercial de bens e pela redução do déficit na conta de serviços.
Em janeiro, a balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões, com exportações de US$ 25,3 bilhões e importações de US$ 21,8 bilhões, conforme os dados oficiais.
Contexto internacional e expectativas
Nos mercados globais, as medidas americanas e tensões geopolíticas influenciam a atividade em Wall Street e nas bolsas europeias e asiáticas, onde houve variações mistas nas primeiras horas de negociação.
Commodities como petróleo e ouro também reagiram, com o Brent cotado em torno de US$ 71,57 por barril, segundo dados de mercado, e volatilidade refletindo dúvidas sobre oferta e demanda.
No cenário doméstico, há ainda atenção para a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que ouve o presidente interino da CVM, João Accioly, em reunião do grupo que acompanha as investigações sobre o Banco Master, o que traz riscos reputacionais para o mercado financeiro.
Em resumo, o dia combina a entrada em vigor da tarifa adicional de 10% dos EUA, leituras do setor externo brasileiro, e o calendário de discursos do Fed, mantendo o dólar sob pressão de notícias e expectativas macroeconômicas.