Dólar sobe perto de meio por cento e vai a R$ 5,2240, com inflação nos EUA, caso Banco Master no STF e balanços corporativos guiando o câmbio
Mercado acompanha o CPI americano, IGP-10 em queda, saída de Toffoli da relatoria do caso Banco Master e resultados de bancos e mineradoras antes do feriado
O dia começa com foco nos dados de preços nos Estados Unidos e em eventos políticos no Brasil, fatores que influenciam a cotação do dólar e o humor das bolsas.
Investidores monitoram o índice de preços ao consumidor americano, o CPI, em busca de sinais sobre o ritmo de cortes de juros pelo Federal Reserve.
Além disso, o mercado observa desdobramentos no Supremo Tribunal Federal e números corporativos relevantes, conforme informação divulgada pelo g1
Dólar e a agenda internacional
O dólar abriu em alta na sessão, em um movimento ligado à expectativa sobre o CPI dos EUA, que deve mostrar a pressão inflacionária e afetar as decisões do Federal Reserve.
Na véspera, a moeda americana fechou em alta de 0,25%, cotada a R$ 5,1998, e os investidores agora avaliam se os dados americanos vão reforçar apostas por juros mais altos por mais tempo.
No exterior, Wall Street iniciou o dia em leve queda, depois de fortes perdas no pregão anterior, com o Nasdaq caindo 2%, o S&P 500 perdendo cerca de 1,6% e o Dow Jones recuando 1,3%.
Indicadores e cenário doméstico
No Brasil, o destaque foi o Índice Geral de Preços – 10, o IGP-10 de fevereiro, que caiu 0,42%, depois de alta de 0,29% no mês anterior, resultado mais fraco que o esperado, segundo a Fundação Getulio Vargas, o que levou o índice a acumular deflação de 2,25% em 12 meses.
Os preços ao consumidor subiram em parte por reajustes em educação e aumentos em gasolina, transporte e moradia, enquanto a queda no atacado, puxada por produtos como soja e minério de ferro, pressionou o indicador para baixo.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que as vendas no varejo recuaram 0,4% em dezembro na comparação com o mês anterior, e subiram 2,3% sobre um ano antes, dados que também pesam no cenário econômico.
Política e o caso Banco Master
No Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli solicitou o afastamento da relatoria do caso Banco Master, e a matéria foi redistribuída por sorteio ao ministro André Mendonça.
A mudança ocorreu após a Polícia Federal encontrar menções a Toffoli em dados do celular do banqueiro investigado, o que gerou desconforto no tribunal; os ministros afirmaram que não há prova de irregularidade por parte de Toffoli, e ele nega qualquer relação financeira com o banqueiro, segundo o g1.
Temporada de balanços e impacto nos mercados
Na agenda corporativa, o mercado acompanha resultados que podem aumentar a volatilidade. O Banco do Brasil informou um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, o que elevou a taxa de inadimplência para 5,17%, quando poderia ter ficado em 4,88% sem esse caso, segundo divulgação do banco.
O próprio Banco do Brasil afirmou que o problema já era conhecido e vinha sendo provisionado há anos, e que a dívida foi repassada a outro credor no início de 2026, enquanto o banco registrou lucro de R$ 20,7 bilhões em 2025.
A Vale registrou prejuízo de US$ 3,8 bilhões no último trimestre de 2025, em grande parte por ajustes contábeis ligados ao valor de seus negócios de níquel no Canadá, embora as vendas de minério de ferro e cobre tenham sido boas e o resultado operacional tenha melhorado.
Com esses elementos, investidores avaliam se a combinação entre inflação nos EUA, dados locais e riscos políticos vai manter a pressão sobre o câmbio e sobre o Ibovespa, na última sessão antes do feriado de Carnaval.