Domo de Ouro na Groenlândia: Rússia diz que monitora plano dos EUA de escudo antimísseis com satélites, Trump quer base estratégica até 2029
O projeto do Domo de Ouro une camadas espaciais e terrestres para detectar e interceptar mísseis em várias fases, e a Groenlândia surge como ponto-chave na estratégia americana
O anúncio do Domo de Ouro reacendeu tensões geopolíticas no Ártico e provocou alertas em Moscou sobre os objetivos do sistema, que mistura satélites de vigilância e de ataque.
O projeto, avaliado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão, foi apresentado pelo governo republicano em 2025 e voltou ao centro do debate após declarações públicas do presidente americano em janeiro.
Em resposta, o Kremlin afirmou que as Forças Armadas russas acompanham atentamente o projeto e avaliam seus objetivos e alcance, gerando nova fase de observação mútua na região, conforme informação divulgada pelo g1.
O que é o Domo de Ouro e como ele funcionaria
O Domo de Ouro é inspirado no sistema israelense conhecido como Domo de Ferro, mas ampliado para enfrentar ameaças balísticas, hipersônicas e mísseis de cruzeiro. A ideia é criar múltiplas linhas de defesa que atuem em todos os estágios de um ataque.
Segundo os dados apresentados pelo Pentágono, o sistema teria quatro camadas, incluindo uma camada baseada no espaço para alerta e rastreamento, e três camadas terrestres com interceptadores, radares e, possivelmente, lasers.
Entre os componentes previstos estão uma nova base no Centro-Oeste dos EUA para abrigar interceptadores NGI de última geração, integração com o THAAD, e a manutenção de sistemas existentes, como o Patriot, na camada final de defesa.
Por que a Groenlândia é considerada estratégica pelos EUA
A Groenlândia ocupa posição geográfica crucial entre os Estados Unidos e a Rússia, e representa a rota mais curta para um míssil balístico alvo do território continental americano.
Washington enxerga a ilha como local ideal para instalar radares em terra e no mar, além de bases para interceptadores, porque oferece acesso direto ao chamado corredor naval GIUK, entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido.
Além do valor militar, a ilha tem vastas reservas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras, recursos que são estratégicos para tecnologias civis e militares, e que atraem interesse econômico paralelo ao estratégico.
O posicionamento da Rússia e as implicações diplomáticas
O porta-voz do Kremlin declarou que “as Forças Armadas russas acompanham atentamente o projeto americano, que avaliam os objetivos e o alcance do sistema”, frase que reflete preocupação sobre vigilância e capacidade ofensiva na região.
A presença aumentada dos EUA na Groenlândia poderia alterar o equilíbrio no Ártico, elevando riscos de confronto político e militar, e pressionando países aliados, incluindo a Dinamarca, que tem território autônomo na ilha.
O debate envolve ainda a proposta, evocada pelo presidente americano em 14 de janeiro, de que a Groenlândia é “vital” para a construção do sistema, comentário que reacende a discussão sobre soberania e interesses geopolíticos na região.
O que vem a seguir
O Pentágono tem buscado informações e parcerias com empresas do setor de Defesa, e o projeto permanece em estágio inicial, com etapas de desenvolvimento previstas até 2029, se houver continuidade política e orçamento.
Especialistas apontam que a execução do Domo de Ouro depende de avanços tecnológicos, integração espacial e terrestres, além de acordos diplomáticos para instalar infraestrutura em pontos como a Groenlândia.
Enquanto isso, a Rússia segue monitorando o plano, e o avanço do programa pode moldar a política de segurança do Ártico nas próximas décadas, com impactos militares e econômicos para EUA, Rússia e aliados europeus.