Domo de Ouro, plano dos EUA para criar escudo antimísseis na Groenlândia avaliado em US$ 175 bilhões, Rússia diz que militares monitoram projeto e alcance estratégico
Pentágono propõe sistema com satélites, interceptadores e lasers, Trump quer concluir até 2029, Groenlândia apontada como base-chave entre EUA e Rússia, reação de Moscou é de acompanhamento atento
Domo de Ouro é o nome dado pelo governo americano a um projeto de defesa antimísseis inspirado no sistema israelense, que combina vigilância espacial e camadas terrestres para detectar e neutralizar ameaças.
O projeto, anunciado pelo governo republicano em maio de 2025, foi estimado em US$ 175 bilhões, o equivalente a R$ 1 trilhão, e o presidente quer concluí-lo até o final do mandato, em 2029.
Segundo o Kremlin, o projeto é acompanhado atentamente pelas Forças Armadas russas, que avaliam os objetivos e o alcance do sistema, conforme informação divulgada pelo g1.
O que é o Domo de Ouro e por que importa
O nome em inglês, Golden Dome, refere-se a um escudo antimísseis concebido para detectar e interceptar mísseis em múltiplas fases da trajetória, do lançamento à reentrada.
Ao assumir a presidência em janeiro de 2025, Trump assinou um decreto para avançar com a ideia, citando que os EUA enfrentam ameaças de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro, e estabelecendo o objetivo de “da paz pela força”.
O presidente também afirmou que a ilha é “vital” para a construção do sistema, ao defender a necessidade de bases mais próximas da Rússia para aumentar a capacidade de defesa dos Estados Unidos.
Como o sistema foi pensado e suas camadas
O planejamento divulgado pelo Pentágono prevê quatro camadas de defesa, sendo a primeira no espaço para alerta e rastreamento, e três terrestres com interceptadores, radares e, possivelmente, lasers.
Segundo as informações apresentadas a empreiteiros, haverá 11 baterias de curto alcance distribuídas nos Estados Unidos continentais, no Alasca e no Havaí, além de uma nova base no Centro-Oeste para abrigar interceptadores de nova geração.
Um dos objetivos principais do Domo de Ouro é neutralizar alvos na chamada fase de impulso, o estágio inicial e previsível da trajetória de um míssil, e o projeto busca implementar interceptadores baseados no espaço para reação mais rápida.
Por que a Groenlândia é vista como essencial
A Groenlândia está situada entre os EUA e a Rússia, por isso é considerada de grande importância estratégica para a segurança no Ártico e para a vigilância de corredores marítimos e aéreos.
Os EUA já mantiveram presença militar robusta na ilha, com até 10 mil militares durante a Guerra Fria, número que hoje caiu para menos de 200, segundo dados citados na apuração.
Pela rota mais curta que mísseis balísticos russos poderiam usar para atingir o território continental americano, a Groenlândia poderia abrigar radares e interceptadores que integrem as camadas do Domo de Ouro, além de dar acesso à chamada lacuna GIUK, entre Groenlândia, Islândia e Reino Unido.
Reação russa e implicações geopolíticas
O Kremlin informou que as Forças Armadas russas acompanham atentamente o projeto americano, avaliando seus objetivos e alcance, uma posição que indica preocupação com mudanças no equilíbrio estratégico no Ártico.
Especialistas apontam que, além das vantagens militares, a Groenlândia tem reservas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras, recursos que aumentam o interesse americano pela região.
Em agosto, o Pentágono apresentou o projeto a cerca de 3 mil empreiteiros do setor de Defesa em Huntsville, no Alabama, dizendo que o programa ainda está em estágios iniciais, e que o encontro visava coletar informações para os próximos passos.
O debate sobre a implantação do Domo de Ouro na Groenlândia tende a crescer em intensidade, pois envolve decisões sobre soberania, presença militar no Ártico, orçamento bilionário e as reações de potências como a Rússia, que já declarou acompanhamento atento do plano.