E-mail de Elon Musk a Jeffrey Epstein com pergunta ‘Quando podemos ir para a sua ilha?’ aparece entre mais de 3 milhões de páginas divulgadas pelo Departamento de Justiça sobre a ilha de Epstein
Nova leva de arquivos do caso mostra troca de mensagens em 2013 entre Elon Musk e Jeffrey Epstein, e documentos incluem mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens
Uma das mensagens divulgadas pergunta, em texto, “Quando podemos ir para a sua ilha?”, enviada por Elon Musk a Jeffrey Epstein em 2013, segundo os arquivos liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Os documentos fazem parte de um conjunto com mais de 3 milhões de páginas relacionadas à investigação sobre Epstein, que foi condenado por abuso de menores e pela operação de uma rede de exploração sexual centrada, entre outros locais, em sua ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas.
Essas informações constam entre os registros publicados nesta sexta-feira, e o conteúdo inclui, além de e-mails, mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, conforme divulgado pelas autoridades, conforme informação divulgada pelo g1.
O que mostram os e-mails e o contexto da investigação
Na troca de mensagens citada nos arquivos, Epstein responde de forma amigável a Musk, afirmando que “sempre (há) espaço para você”, enquanto os dois discutem datas para uma visita. Não fica claro nos documentos se a viagem chegou a se concretizar.
O epicentro da rede de Epstein era uma ilha particular, para onde convidados viajavam, muitas vezes no avião particular apelidado de “Lolita Express”, e os registros reforçam a presença de viagens e encontros que estão sob investigação.
Dados e citações oficiais sobre a liberação dos arquivos
Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, a nova leva inclui, especificamente, mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, e que esses arquivos contêm “grandes quantidades de pornografia comercial”.
Blanche também afirmou, citando o trabalho do departamento, “A divulgação de hoje marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei”.
Perguntado sobre possível interferência da Casa Branca, Blanche afirmou que a Casa Branca não participou da revisão dos arquivos, e declarou ainda, de forma direta, “Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos”.
Reações e posições públicas de Elon Musk
Elon Musk já havia publicado uma declaração pública negando ter ido à ilha de Epstein, e em um post na rede X, da qual é dono, escreveu, em 27 de setembro de 2025, “Epstein tentou me convencer a ir para a ilha dele e eu RECUSEI”.
Nos arquivos recém-divulgados, a pergunta por uma visita aparece datada de 2013, e a correspondência entre Musk e Epstein está entre milhões de páginas liberadas, mas a presença da mensagem não confirma por si só a realização de qualquer viagem.
O processo de divulgação e o que ainda falta esclarecer
O Departamento de Justiça já havia reconhecido, em documento judicial, que havia divulgado apenas 1% do material que tinha em mãos anteriormente, e a liberação contínua começou em dezembro, após sanção da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.
O governo tinha um prazo até o dia 19 de dezembro para publicar todos os arquivos, segundo a lei mencionada, mas esse prazo não foi cumprido, e a divulgação seguiu em etapas, com milhares de documentos sendo liberados em ondas anteriores.
As novas páginas publicadas adicionam contexto às investigações, e especialistas e vítimas citadas nos arquivos afirmam que a ampla divulgação pode ajudar na compreensão dos fatos e, para algumas vítimas, no processo de cura, como apontado em relatos que acompanharam as divulgações.
O conteúdo agora acessível deverá ser analisado por jornalistas, autoridades e pesquisadores para identificar ligações, viagens e possíveis testemunhos que ainda possam ser relevantes para investigações e processos futuros.