Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça mostram troca de mensagens entre Elon Musk e Jeffrey Epstein, e renovam o foco na ilha de Epstein e no material acumulado
Nos arquivos liberados nesta sexta-feira, aparece um e-mail enviado por Elon Musk a Jeffrey Epstein, perguntando, “Quando podemos ir para a sua ilha?”. A correspondência consta entre mais de 3 milhões de páginas incluídas na nova leva de documentos.
Não está claro pelas mensagens se a viagem chegou a ocorrer, e Elon Musk já havia afirmado que recusou convites para ir à ilha. A divulgação amplia o conjunto de provas e levanta novas perguntas sobre contatos entre Epstein e pessoas públicas.
As informações fazem parte de arquivos do caso que investigou a rede de exploração sexual de Epstein, conforme informação divulgada pelo g1.
O que mostram os e-mails
Na troca publicada, o e-mail de Elon Musk aparece com a pergunta direta, e Epstein responde de forma amistosa, dizendo que “sempre (há) espaço para você”, enquanto acertam datas para uma visita. A reportagem não indica evidência de que a ida tenha se concretizado.
Em post na rede X, da qual é dono, Elon Musk escreveu, “Epstein tentou me convencer a ir para a ilha dele e eu RECUSEI”, em 27 de setembro de 2025, declaração que já vinha sendo citada em defesa da sua versão sobre o caso.
O volume dos arquivos e o que mais foi liberado
O Departamento de Justiça anunciou que a nova leva inclui mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, além das milhões de páginas, e que parte do material contém “grandes quantidades de pornografia comercial”. Entre as menções ao material citado, está o apelido do avião usado por Epstein, o “Lolita Express”, associado às viagens para a ilha nas Ilhas Virgens Americanas.
Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, a liberação marca o fim da revisão interna dos documentos, ele afirmou, “A divulgação de hoje marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei”.
Reações e declarações
Blanche também negou influência da Casa Branca no processo de revisão, dizendo, “Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos”. A divulgação anterior, em dezembro, já havia mostrado proximidade de Epstein com políticos e famosos, e citou vítimas, incluindo uma brasileira que disse, “Arquivos vão ajudar a me curar”.
O governo admitiu que, até aquele momento, havia divulgado apenas 1% dos arquivos que detinha sobre Epstein, e a nova liberação amplia o acesso público ao material que serviu de base para investigações e processos civis.
Contexto e próximos passos
Jeffrey Epstein foi condenado por abusar de menores e por operar uma rede de exploração sexual, cujo epicentro era a ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas, para onde Epstein e convidados viajavam, por vezes no avião apelidado de “Lolita Express”.
A divulgação completa dos arquivos segue sendo acompanhada por juristas, investigadores e vítimas, que esperam que o material permita novas ações civis e esclarecimentos, e que sirva como registro para responsabilizar envolvidos e mapear a extensão da rede.
Embora a troca de e-mails entre Elon Musk e Epstein acrescente detalhes sobre convites e contatos, até o momento não há prova pública, nos documentos liberados, de que um encontro ou viagem tenha ocorrido.