Eleição em Portugal: 2º turno é adiado em alguns municípios por tempestades, candidatos Ventura e António José Seguro trocam críticas e apelos ao voto
Na Eleição em Portugal, temporais forçam adiamento de votação em zonas afetadas, aumentam incertezas sobre abstenção, e ambos os candidatos visitam vítimas e criticam respostas do governo
O segundo turno das eleições presidenciais foi afetado por uma nova frente de tempestades que provocou adiamentos em alguns municípios, e gerou debates sobre a realização do pleito em áreas atingidas.
As chuvas torrenciais e ventos fortes deixaram famílias desalojadas, causaram mortes e interromperam a logística de votação em zonas onde a infraestrutura foi comprometida.
Ao chegar para votar, o candidato André Ventura criticou o governo por manter a data das eleições, e António José Seguro pediu que os eleitores não deixem de comparecer às urnas, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que houve adiamentos e qual o impacto das tempestades
As tempestades que atingiram Portugal nas últimas semanas causaram danos generalizados, com inundações que deixaram cidades praticamente debaixo d’água, e uma frente fria no fim da semana gerou temor de alta abstenção.
Relatos indicam que a violência dos temporais levou autoridades locais a adiar o segundo turno em alguns municípios para garantir segurança de eleitores e equipes, e para permitir assistência às vítimas.
Segundo a reportagem, houve casos de mortes em razão das condições climáticas, e a situação operacional das mesas eleitorais foi afetada em várias zonas, comprometendo o acesso de eleitores a locais de votação.
O que disseram os candidatos
Ao chegar para votar, André Ventura, do partido de extrema direita Chega, criticou o governo por manter as eleições, após ter pedido que o pleito fosse adiado em solidariedade às vítimas, e afirmou, “Acho que foi desrespeitoso porque transformou alguns portugueses em cidadãos de primeira classe e outros em cidadãos de segunda classe. Acho que em muitas partes do país, as pessoas se sentem desrespeitadas”.
O candidato António José Seguro, do Partido Socialista, apontado como favorito nas pesquisas, também comentou o adiamento em algumas zonas eleitorais, expressou solidariedade às famílias afetadas, e pediu participação no voto, declarando, “Espero que estas melhores condições meteorológicas permitam que as pessoas saiam para votar. Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país. Estamos a eleger o Presidente da República para os próximos cinco anos, o que é uma decisão muito importante. Expresso também a minha solidariedade a todas as famílias que estão a atravessar momentos difíceis em algumas partes do nosso país”.
Pesquisas, números do primeiro turno e cenário eleitoral
No primeiro turno, António José Seguro venceu com cerca de 31% dos votos, e André Ventura ficou em segundo lugar com 23,49% dos votos.
Pesquisas recentes do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião, Cesop, da Universidade Católica, mostram o socialista com 70% das intenções de voto contra 30% do líder do Chega, e indicam que Ventura tem um índice de rejeição em torno de 60%.
O voto em Portugal não é obrigatório, e a combinação de condições meteorológicas adversas e pedidos de adiamento alimentou incertezas sobre a participação, o que pode alterar projeções de resultado.
O que está em jogo e o contexto institucional
Esta eleição presidencial ocorre num sistema semipresidencialista, em que o presidente tem funções representativas e poderes relevantes em crises, como nomear o primeiro-ministro, vetar leis e dissolver o Parlamento, e o cargo é ocupado desde 2016 por Marcelo Rebelo de Sousa, impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.
Será a primeira vez em 40 anos que há um segundo turno nas presidenciais portuguesas, e esta disputa marca a quinta eleição nacional em menos de dois anos no país, num contexto de fragmentação política e forte ascensão da extrema direita ao Parlamento.
À medida que as autoridades definem novos prazos e locais de votação nas áreas afetadas, a atenção se volta para a capacidade das autoridades de restaurar condições seguras para o exercício do voto, e para a reação dos eleitores diante da crise climática e das mensagens dos candidatos.