Eleição em Portugal: 2º turno tem votação adiada em municípios afetados por tempestades, André Ventura pede adiamento e Seguro amplia vantagem nas pesquisas

Eleição em Portugal registra adiamentos em zonas eleitorais por temporais, cresce risco de abstenção, candidatos visitam áreas afetadas e sondagens apontam liderança de Seguro

A realização do segundo turno da Eleição em Portugal neste domingo foi marcada por fortes chuvas e ventos que obrigaram ao adiamento do pleito em alguns municípios.

Em várias localidades, mesas eleitorais ficaram comprometidas e autoridades locais decidiram postergar a votação para garantir segurança de eleitores e funcionários.

As decisões geraram tensão na campanha, com pedidos de adiamento e apelos à solidariedade entre partidos, conforme informação divulgada pelo g1.

Críticas dos candidatos e apelos ao voto

Ao chegar para votar, o candidato André Ventura, do partido de extrema direita Chega, criticou o governo por manter as eleições, mesmo com tantos portugueses afetados por inundações.

Ventura afirmou, “Acho que foi desrespeitoso porque transformou alguns portugueses em cidadãos de primeira classe e outros em cidadãos de segunda classe. Acho que em muitas partes do país, as pessoas se sentem desrespeitadas”, e destacou seu pedido anterior para adiar o pleito em solidariedade às vítimas.

O candidato do Partido Socialista, António José Seguro, apontado como favorito nas pesquisas, também comentou os adiamentos e expressou apoio às famílias afetadas.

Seguro declarou, “Espero que estas melhores condições meteorológicas permitam que as pessoas saiam para votar. Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país. Estamos a eleger o Presidente da República para os próximos cinco anos, o que é uma decisão muito importante. Expresso também a minha solidariedade a todas as famílias que estão a atravessar momentos difíceis em algumas partes do nosso país”.

Pesquisas, números do primeiro turno e risco de abstenção

No primeiro turno, António José Seguro venceu com cerca de 31% dos votos, enquanto André Ventura ficou em segundo lugar com 23,49%, segundo os resultados divulgados.

Pesquisas divulgadas nas semanas anteriores ampliaram a vantagem do socialista, com um levantamento do Cesop da Universidade Católica mostrando o candidato do Partido Socialista com “70% das intenções de votos, contra 30% do líder do Chega”.

O cenário eleitoral, porém, segue incerto por conta do clima, e o voto não é obrigatório em Portugal, o que eleva o risco de abstenção diante das condições meteorológicas adversas.

Impacto das tempestades e contexto das eleições

No final de janeiro, a tempestade Kristin deixou 5 mortos, um rastro de destruição e quase meio milhão de pessoas sem energia no país, e novas frentes frias continuaram a preocupar autoridades e eleitores.

As urnas foram abertas às 08h02 no horário local (05h02 no horário de Brasília), em um dia em que equipes de emergência e autoridades eleitorais coordenaram ações para mitigar os efeitos das chuvas nas seções adiadas.

Esta será a primeira vez, em 40 anos, que Portugal terá segundo turno nas eleições presidenciais, um reflexo da fragmentação política observada no pleito, que teve 11 candidaturas no primeiro turno.

O papel da presidência e o cenário político mais amplo

O presidente em Portugal ocupa uma função com poderes relevantes em momentos de crise, apesar de não atuar no cotidiano do Executivo, e o cargo está aberto após Marcelo Rebelo de Sousa ficar impedido de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Além disso, esta será a quinta eleição nacional desde 2024, em um período de intensa dinâmica política no país, com desdobramentos que vão além do voto para a presidência.

Enquanto comunidades afetadas recuperam infraestrutura e energia, a Eleição em Portugal segue acompanhada de perto, entre apelos à participação e receios sobre como o clima poderá influenciar o resultado final.