Eletronuclear tem caixa até meados de março, pede que bancos suspendam cobrança de quase R$ 7 bilhões por Angra 3 e avisa, “Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”

Com recursos em caixa apenas até meados de março, Eletronuclear solicita que bancos públicos suspendam temporariamente cobrança de quase R$ 7 bilhões ligada a Angra 3 para evitar colapso financeiro

A estatal Eletronuclear afirmou que disporá de recursos em caixa apenas até meados de março, e que corre risco de colapso financeiro se não houver uma definição sobre o futuro da obra de Angra 3.

O presidente interino da empresa, Alexandre Caporal, pediu que os bancos públicos suspendam temporariamente a cobrança de quase R$ 7 bilhões de dívidas ligadas ao empreendimento, até que o Conselho Nacional de Política Energética defina o destino da usina.

Segundo Alexandre Caporal, sem essa suspensão a empresa pode enfrentar inadimplência com fornecedores e bancos, e, nas suas palavras, “Se não houver uma solução, seremos os Correios amanhã”, conforme informação divulgada pelo g1.

Pedido aos bancos e prazo curto

De acordo com o relato de Caporal ao g1, a Eletronuclear não busca, neste momento, um aporte direto do Tesouro Nacional, mas considera essencial que os bancos credores suspendam a cobrança da dívida para garantir sustentabilidade de curto prazo.

A empresa solicita a suspensão temporária dos pagamentos relacionados a Angra 3, um pedido que já havia sido atendido por seis meses em 2024, e que, segundo a estatal, daria fôlego até que o CNPE tome uma decisão.

Números que explicam a pressão financeira

O presidente interino detalhou valores que mostram a pressão sobre o caixa da estatal, dizendo que o serviço da dívida soma R$ 800 milhões em 2026, e que, quando somados aos custos de manutenção, os gastos totais com Angra 3 ultrapassam R$ 1 bilhão por ano.

Além do montante de quase R$ 7 bilhões pedido para suspensão, Caporal advertiu que, se a decisão sobre a usina for adiada até um momento de colapso, pode ser necessário um aporte para mitigar efeitos danosos de uma crise financeira.

Obras paralisadas e definição pendente

As obras de Angra 3 estão paralisadas há cerca de dez anos, e a definição sobre seu futuro tem se arrastado. Em 2025, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a prever uma decisão até o fim do ano, o que não se concretizou.

O Ministério de Minas e Energia, que preside o CNPE, ainda não respondeu sobre quando o tema voltará à pauta do conselho, segundo a apuração do g1.

Rumo a uma solução estrutural

Caporal afirmou que medidas temporárias de liquidez têm sido adotadas nos últimos 18 meses, mas que apenas uma solução estrutural sobre Angra 3 poderá estabilizar a Eletronuclear de forma duradoura.

Sem essa solução, a estatal corre risco de default com fornecedores e instituições financeiras, e pode precisar de medidas extraordinárias para evitar um colapso, concluiu o presidente interino, conforme informação divulgada pelo g1.