Dados do Ministério do Trabalho mostram que o saldo de empregos formais 2025 foi o menor desde 2020, com alta da Selic, menor ritmo de criação e efeitos setoriais pontuais
O país encerrou 2025 com formação líquida de vagas formais bem abaixo de anos recentes, depois de um ciclo de recuperação pós-pandemia.
O resultado reflete, segundo governo e técnicos, o efeito combinado da alta de juros e de choques externos em setores pontuais.
Os números oficiais foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e constam de relatórios e entrevistas das últimas semanas, conforme informação divulgada pelo g1
Saldo anual e dados oficiais
O Brasil registrou a criação de 1,279 milhão de novos empregos com carteira assinada em 2025, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Esse foi o menor resultado desde 2020, ano da pandemia da Covid-19, quando houve fechamento de vagas formais.
Postos de trabalho formais criados por ano 2025: 1.279.4982024: 1.677.5752023: 1.455.2792022: 2.014.8942021: 2.782.2952020: – 189.393
Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas no ano passado: ➡️26,599 milhões de contratações;➡️25,320 milhão de demissões.
Setores, dezembro e distribuição das vagas
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Caged, mostram criação de vagas formais em todos os cinco setores da economia, mas com diferenças marcantes.
Serviços: 758,3 mil, Comércio: 247,1 mil, Indústria: 144,3 mil, Construção: 87,9 mil, Agropecuária: 41,9 mil vagas. Em dezembro de 2025, fora 618,2 mil vagas encerradas. Um aumento em relação a dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos com carteira assinada foram encerrados.
Por que o saldo foi mais fraco
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu o desempenho ao custo do crédito, ligado à alta da taxa Selic. A taxa Selic, definida pelo Banco Central, chegou a 15% ao ano em 2025, e, segundo ele, isso afetou o ritmo de criação de vagas.
Marinho afirmou, “Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia, Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento, Mas um processo de diminuição da velocidade, E isso acabou acontecendo”.
Sobre medidas externas, o ministro também comentou o chamado tarifaço dos Estados Unidos, “O tarifaço impactou, claro que sim, mas acho que o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço, E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo, tomou ações importantes ao longo do tempo, O presidente Lula abriu novos mercados e isso deu uma amenizada muito grande na história do tarifaço, E ele impactou segmentos pontuais, Olhando para a economia como um todo ele praticamente não foi sentido”, declarou o ministro.
Impactos por setor e perspectivas
Técnicos do ministério destacaram que setores exportadores de bens como madeira, móveis e sapatos, com encomendas para os EUA, sentiram efeitos do aumento de tarifas, mas a avaliação predominante é que a maior dificuldade foi a falta de liquidez e o custo elevado do crédito.
Para empresas e trabalhadores, o cenário de 2025 sinaliza uma recuperação mais lenta do mercado formal, com concentração de novas vagas em serviços e comércio, e desafios para a indústria e cadeia de bens que dependem de crédito e demanda externa.
Especialistas apontam que a evolução do emprego formal em 2026 vai depender da trajetória da Selic, do acesso ao crédito e da capacidade do governo de manter rotas de exportação e políticas de apoio setorial.