Encontro em março entre Lula e Trump vai priorizar combate ao crime organizado, solução para o tarifaço a produtos brasileiros e articulação sobre a América Latina
Na agenda, proposta de cooperação contra lavagem de dinheiro, congelamento de ativos, intercâmbio de dados financeiros e debate sobre a Venezuela, com foco em interesses bilaterais
O governo brasileiro prepara um encontro presencial entre os dois presidentes para março, com objetivos centrados em temas bilaterais e na relação com a região.
Fontes da diplomacia apontam que Brasília quer avançar em acordos de segurança, retomar negociações sobre o chamado tarifaço e discutir a situação na América Latina.
A reunião entre os dois presidentes deve acontecer em março, ainda sem data definida.
conforme informação divulgada pelo g1
Principais temas na pauta
Fontes da diplomacia brasileira ouvidas pela GloboNews afirmam que o Brasil tem interesse em pautar três assuntos principais: o combate ao crime organizado;a continuidade das negociações sobre produtos brasileiros ainda afetados pelo tarifaço;a situação na América Latina. Esses pontos devem orientar a agenda de trabalho em Washington.
O governo quer consolidar uma parceria que inclua ações concretas contra redes criminosas, medidas para reduzir perdas comerciais com tarifas e uma coordenação política sobre crises regionais.
Segurança e combate ao crime organizado
Na conversa mais recente por telefone, houve reforço da proposta brasileira para ampliar cooperação em segurança, incluindo repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.
Os dois conversaram na última segunda-feira (26) por quase uma hora por telefone. Segundo interlocutores do Planalto, Lula reiterou uma proposta encaminhada ao Departamento de Estado para fortalecer o trabalho conjunto contra grupos criminosos.
Entre as medidas discutidas estão o congelamento de ativos de organizações e o intercâmbio de dados sobre transações financeiras, com participação de autoridades como a Polícia Federal.
Tarifaço e impacto sobre produtos brasileiros
O levantamento de tarifas aplicadas a produtos brasileiros foi mencionado como avanço, mas o governo quer garantir continuidade nas negociações para reverter medidas que ainda afetam exportadores.
Representantes do Ministério da Fazenda e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços devem integrar a comitiva, com objetivo de transformar o diálogo em soluções técnicas e comerciais.
América Latina, Venezuela e riscos regionais
A situação na Venezuela ganhou urgência após a operação que prendeu o ex-presidente do país, e esse episódio deve entrar na pauta bilateral.
A captura de Nicolás Maduro ocorreu em 3 de janeiro. A ação envolveu tropas de elite e gerou repercussão diplomática, com o Brasil defendendo a preservação da paz e o bem-estar da população venezuelana.
O governo brasileiro avalia que debater a América Latina em conjunto com os Estados Unidos é essencial para a estabilidade regional, e que manter diálogo próximo pode mitigar impactos políticos internos durante o próximo ciclo eleitoral.
Comitiva, formato e objetivos práticos
A expectativa é que integrem a comitiva representantes do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério da Fazenda, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além da Polícia Federal.
Para Brasília, o encontro servirá para transformar conversas em acordos práticos, como intercâmbio de informações financeiras, operações conjuntas contra lavagem de dinheiro e um cronograma para tratar do tarifaço que afeta exportações brasileiras.
Nos próximos dias, diplomatas dos dois países devem finalizar a logística e o formato da reunião, com expectativa de anúncio da data oficial em breve.